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Arquivo mensal: fevereiro 2011

Estrutura arcaica do futebol brasileiro derruba Adilson Batista

A demissão de Adilson Batista gerou comoção no mundo da bola. Assim como aconteceu com Vagner Mancini no Grêmio, o ex-zagueiro sai da Vila Belmiro com apenas uma derrota em 11 jogos. Bem, como foi para o Corinthians, foi o estopim para que os dirigentes encaminhassem o bilhete azul. Após a saída repentina de Dorival Junior no ano passado, dá para se concluir que profissionalismo não é artigo presente no cotidiano santista. Pelo contrário. Infelizmente, o a gestão que prometia mundos e fundos e uma postura alheia ao clamor da torcida, demonstra que sucumbe perante a qualquer tipo de pressão.

Uma faixa estampada em frente de uma padaria é apenas demonstração de revolta passional. Se Adilson Batista emplacasse uma sequencia de vitórias, com o passar do tempo, o próprio manifestante recuaria. E mais: todos sabem que os frutos com o ex-treinador são colhidos em médio e longo prazo. Futebol vistoso e apaixonante como do ano passado é preciso uma conjunção de fatores que dificilmente vão se repetir.

Resumo da ópera: o torcedor poderá até estar contente por possuir sua reivindicação aceita. Agora, e se o próximo treinador for um fracasso, qual será a medida adotada? Pedir sugestão ao torcedor que é dono da padaria? Ao verificar esses e outros fatos dá para advinhar porque o Brasil não consegue organizar uma Liga de Clubes e negociar os direitos de televisão de modo profissional. Nossos dirigentes estão na idade da pedra.

 

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Publicado por em 28 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

Grandes salários e patrimônios na política e na Justiça

Pedir uma caça ás bruxas não é a estratégia ideal. Longe disso. Mas o poder judiciário precisa soltar as amarras e discutir com a sociedade...

Abordar a questão de salários exorbitantes e aumento do patrimônio de agentes do poder público é assunto que dá audiência e leitura. Os dois principais jornais paulista usaram tal expediente em suas edições dominicais. Á primeira vista, parecem problemas semelhantes, mas estão longe de qualquer concordância. Na Folha de São Paulo, uma reportagem aborda os rendimentos dos juízes do Superior Tribunal de Justiça. Por intermédio de alguns benefícios, vários juízes extrapolam o teto do poder público, que está acima dos R$ 26 mil. O presidente do Tribunal dá sua resposta, encaminha suas explicações e diz com todas as letras que o fato de ganhar o teto não impede qualquer pessoa de receber outros rendimentos.

Já no Estadão, dos 27 presidentes de Assembléias Legislativas 13 exibem avanço patrimonial em relação à declaração de bens apresentada em 2006. Em alguns casos, o patrimônio mais do que dobrou. Louve-se dois pontos: o centenário jornal colocou luz sobre a atuação dos deputados estaduais, um assunto ignorado pela mídia tradicional. E especialmente a abertura que se deu para que todos os citados pudessem apresentar suas defesas. Ponto para o Estadão.

Ao refletir sobre os dois temas, vem a conclusão obvia: por pior que sejam seus costumes, as assembleias legislativas estão de uma forma ou de outra submetidos a pressão popular e as cobranças da imprensa. De uma maneira ou de outra, uma hora pode-se esperar fiscalização mais rigoroso sobre tais incidências. E o poder judiciário? Claro, não é o caso de acusar ninguém, mas é interessante notar como temos pudores e receios de criticar os magistrados. A pergunta inevitável é jogada no ar: isso é positivo para a democracia? Fica o questionamento para reflexão.

 

 
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Publicado por em 27 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

Lugar de religião é no templo!

Ao fazer a leitura dos jornais, deparei-me com o tema da religião na sala de aula, tema de reportagem na Folha de São Paulo. A reportagem encaminhou e esclareceu vários pontos, como a determinação da Constituição de que as escolas ofereçam a disciplina, mas que é opcional. Existe até a aparição de um personagem, cuja decisão foi a de pedir a retirada de seus filhos gêmeos porque discorda do enfoque das aulas. Detalhe: eles são ateus. Bem ou mal, as estatísticas do Ministério da Educação afirmam que 98 mil colégios no Brasil oferecem a disciplina.

Eu particularmente muito à vontade para falar em virtude de dois aspectos: sou protestante e frequentei aulas de Antropologia Teólogica na Faculdade de Jornalismo.

Minha visão particular é a seguinte: seguir uma doutrina, mesmo que for o Cristianismo é uma decisão de foro intimo.

Não há como forçar uma pessoa a vivenciar uma experiência que ela não deseja. Talvez o modelo ideal seria adotar nas escolas públicas uma disciplina para explicar a história das religiões. Sem querer entrar em conceitos mais profundos.

Se os pais tem o desejo que os filhos sigam a mesma religião, os instrumentos estão à disposição. Em primeiro lugar, o próprio procedimento no lar, com ensinamentos, conversas e idas ao templo de sua preferência. Em seguida, procurar os locais de ensino e aprendizagem oferecidos pelas próprias religiões. No protestantismo, a Escola Dominical já firmou-se como espaço de troca de informações e aprofundamento daquilo que a Biblia ensina. Caso o tempo não seja suficiente, os pais assumem a tarefa de fazer o complemento.

Para completar, um lembrete: o Estado brasileiro é laico, ou seja, não tem religião oficial. É contrassenso que as escolas pública ministrem aulas para ensinar determinada conduta espiritual. Uma correção na Constituição seria muito bem vinda.

 

 
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Publicado por em 27 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

Luiza Erundina: uma política coerente. Ainda bem!

Luiza Erundina é um caso raro na politica brasileira. Eleita no ano passado com 214 mil, a deputado federal paulista pelo PSB leva uma vida modesta e no ano passado precisou realizar um jantar beneficiente para arrecadar fundos que possibilitassem pagar uma condenação na Justiça. Não se enriqueceu com a politica. E diante do revés poderia ficar quietinha e colher apenas os louros de sua trajetória.

Mas a coragem parece ser sua marca. Neste final de semana, Erundina concedeu entrevista aos principais jornais de São Paulo e deu seu ultimato: se Gilberto Kassab e Guilherme Afif Domingos aderirem ao PSB ela estará arrumando as malas. E a justificativa é simples: como uma partido que se intitula socialista quer receber em suas hostes uma pessoa com clara trajetória no campo da direita.

Ela confessa que mudar de partido, a essa altura, aos 74 anos de idade lhe traria mais problemas que soluções. É um processo traumático e que deixa sequelas.

Apesar do obstáculo, é muito legal verificar que existem personalidades no Congresso que defendem seus ideais e não ficam seduzidos por projetos de poder sem pé nem cabeça.

A coerência de Erundina não vem de hoje. Quando foi prefeita, fez uma administração e voltada às camadas mais carentes, um cenário que já atuava como assistente social. Não quis saber de agradar as elites e pagou um alto preço. Saiu para dar lugar a Paulo Maluf e por muitos anos foi considerada uma administradora inepta. O tempo encarregou de fazer Justiça. Já o presente mostra que Erundina é uma das reservas éticas do Congresso Nacional. Boa noticia.

 

 
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Publicado por em 27 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

A Rede Globo e sua visão do capitalismo

O CADE determinou que a licitação para o futebol brasileiro fosse em condições iguais. Por que a Rede Globo mostra tanta resistência?

No novo capitulo da novela irritante do Clube dos 13, a Rede Globo anunciou que está fora do processo de licitação. Nos bastidores, todo mundo sabe a estratégia: vai dividir a entidade e negociar individualmente para culminar com a criação de uma Liga de Clubes. Tudo com a anuência de Ricardo Teixeira. Que, aliás, não apareceu até agora para falar sobre o tema. Apesar das acusações graves ditas por Fábio Koff.

Interessante observar como no Brasil ninguém quer fazer aquilo que é direito. Independente de quem esteja envolvido, o CADE ordenou ao Clube dos 13 que fizesse uma licitação e em condições iguais. Quem apresentar a melhor proposta leva. Existem noticias de que até a cláusula de preferência será retirada. Perfeito, especialmente porque vivemos em um sistema capitalista. E o capitalismo pressupõe competição. Mas a Globo simplesmente se recusa a entrar na disputa. Pior: ontem, sexta-feira, eu escutei nos três ambientes de trabalho que frequento (repito: todos!), que não há necessidade de licitação. A Rede Globo é a melhor, merece continuar  e ponto.

Não vou entrar  no mérito da opinião de A, B ou C. Mas quero recordar algo fundamental: até meados da década de 1960, a Globo não tinha o domínio da audiência, pertencente a Tupi. Sua ascensão ocorreu graças ao desejo do governo militar de encontrar uma integrar o país por intermédio de uma rede de televisão. Roberto Marinho, como sabe qualquer estudante de jornalismo tem conhecimento, sempre esteve ao lado do poder. Especialmente quando a linha adotada era a liberal. Embarcou de corpo e alma e com a presença de executivos do porte de Walter Clark e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho construiu uma hegemonia que nunca foi ameaçada, especialmente porque os adversários nunca tiveram suporte financeiro para suplantá-la. Agora, a história é diferente.

Na TV aberta, a Record promete competir com uma proposta milionária. Na Tv fechada, além da ESPN, temos ainda a presença de Oi e Telefônica, que faturam anualmente quase o dobro da Globo. Nas plataformas de internet e celular, os portais mostram apetite para tirar a hegemonia.

Ou seja,  nunca esteve tão ameaçada. Resumo: já que não ganha na bola, vamos ao “tapetão”. E tem os clubes como aliados, ávidos por ganhar dinheiro fácil sem esforço. Sim, porque se outras modalidades fossem exploradas (estádio, ingressos, licenciamento, venda de produtos), talvez a Vênus Platinada não fosse a última salvação da lavoura.  

Moral da história: a Globo e uma parte dos clubes só querem o capitalismo quando lhe convém. Na hora da competição, todos caem fora. Lamentável.

 
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Publicado por em 26 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

Dilma assume as redéas da Copa do Mundo. Agora vai?

Mesmo com a crise internacional, Lula bancou o rumo econômico e manutenção da Copa e da Olimpíada no Brasil. Agora, Dilma vai colher os frutos...

 

A coluna de notas politicas da Folha de Sâo Paulo publica uma nota em que relata um interlocutor avisando a presidenta Dilma Roussef que a abertura e o fechamento da Copa do Mundo podem ser as marcas de sua gestão. Para o bem ou mal. Diante disso, ela assumiu a operação e iniciou uma rodada de conversas com governadores e prefeitos. Pediu ainda ao Ministro dos Esportes, Orlando Silva Junior, um relatório detalhado do andamento das obras em todo o país e como os gastos estão sendo feitos. Os jornais também trazem a informação que Geraldo Alckmin, sem levar em conta as divergências políticas, ficou espantado com preparo técnico e intelectual da presidenta. Sim, a mesma que Fernando Henrique Cardoso dizia não entender.

Ao se verificar o quadro, chegamos a conclusão de que o destino deu uma bela colaborada. Assim que a nomeação do Brasil como sede da Copa e das Olimpíadas foi sacramentada foi vital contar com uma pessoa como Lula na presidência. Antes de tudo, um politico na acepção da palavra, que soube costurar acordos no exaterior e dentro do país para viabilizar os dois eventos.

Posteriormente, a demanda é por obras, transformar em realidade tudo aquilo que foi colocado na planta. Dilma Roussef se encaixa perfeitamente no papel. Os fatos, aliás, colaboraram para a tese sair vitoriosa. Antes da reunião de sexta-feira, a enrolação, discursos vazios e falta de ação permeavam algumas sedes, especialmente São Paulo. Agora, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fala em iniciar as obras em abril e Alckmin promete melhorias em Itaquera. Moral da história: existem políticos que precisam ser conduzidos. Outros nasceram para conduzir e cobrar. Se Dilma mantiver a disposição, pode acreditar: a Copa do Mundo e as Olimpíadas serão um sucesso.

 
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Publicado por em 26 de fevereiro de 2011 em Uncategorized

 

Tiririca na Comissão de Educação: reflexo do nosso olhar sobre o tema

O deputado Tiririca está dando o que falar. Sua escolha para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados gerou um sentimento de inconformismo entre os especialistas da área. Em entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, a titular de pedagogia da Faculdade de Educação da Unicamp, Maria Márcia Malavasi teve apenas forças para dizer que o ato era “lamentável”. Realmente, a nomeação bancada pelo Partido da República é decepcionante. Quando trabalhei no Diário do Povo, acompanhei o setor por um ano e sei o tamanho da complexidade do tema. O aluno que ocupa sua carteira é apenas o final de uma cadeia que envolve planejamento, reciclagem profissional, aplicação de métodos, busca de melhor infra-estrutura, etc. Ou seja, é de bom grado contar com especialistas na hora de fazer a discussão. Tiririca certamente não é um deles.

Mas não posso culpa-lo. A triste realidade é que a maioria dos partidos não dá a mínima bola para o assunto. Sim, essa é verdade. Educação traz resultados e ganhos positivos a uma nação apenas em longo prazo. Politicos, em sua maioria, querem tudo para ontem.

Mesmo o governo Lula, para transmitir a população a importância do Pro Uni e do exame nas universidades federais por intermédio do Enem, teve grandes dificuldades. Especialmente porque vivemos uma sociedade calcada na fama instantânea na ascensão meteórica e no dinheiro fácil. Qualquer pessoa que investe em sua própria formação, sabe: os dividendos demoram para acontecer. São duradouros, é verdade, mas ignorar o tema é a tática preferida. Querem outra prova? Nas eleições de 2006, o senador pelo PDT, Cristovam Buraque foi candidato a presidente e adotou a Educação como lema de campanha. Resultado: 2.538.844 votos ou 2,64% dos votos válidos. Tiririca é o menor dos problemas.

 
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Publicado por em 26 de fevereiro de 2011 em Uncategorized