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Arquivo mensal: março 2011

Jair Bolsonaro: a culpa é do eleitor. E também do CQC…

A televisão brasileira perdeu o limite. A falta de respeito tomou proporções trágicas após a participação do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) no programa CQC, da Rede Bandeirantes de televisão. Em entrevista de apenas três minutos, construída a partir de perguntas formuladas por populares, o parlamentar desfila todo o seu arsenal de improprérios contra negros e homossexuais. O ápice chegou na pergunta formulada pela cantora Preta Gil, que desejou saber qual seria sua reação se um de seus filhos namorasse uma negra. A resposta não poderia ter sido mais infeliz: “”Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. Pense por um instante e chore: 120 mil pessoas saíram de suas casas em todo o estado do Rio de Janeiro em outubro do ano passado e conduziram esse homem a mais quatro anos de mandato.

Esse, no entanto, não é o principal problema. Até porque infelizmente muitos evocam os conceitos de Deus, família e propriedade para relembrar um período marcado por torturas, prisões injustas e perseguições. Desculpe, mas apenas insensíveis podem sentir saudade da ditadura.

Agora, fica a pergunta: como um programa transmitido em rede nacional deixa passar um absurdo desses? Vamos recapitular: quem conhece um pouco de televisão sabe que programas ao vivo com muitos quadros necessitam de uma pré-produção apurada. As gravações acontecem com vários de antecedência da exibição. Automaticamente, existe tempo hábil para assistir, verificar o tempo e editar o material. Ou em último caso bloqueá-lo. Em suma: será que nenhum humorista, editor, produtor do CQC assistiu essa entrevista antes dela ir ao ar? Será que ninguém ficou com uma pulga atrás da orelha pelas declarações descabidas do deputado? Ninguém conhecia o histórico do deputado e suas declarações fora do senso comum?

Até que mude a lei de radiofusão no Brasil, as emissoras de rádio e televisão tem responsabilidade pelo conteúdo que colocam á disposição do público. O cenário proporciona condições de dizer o seguinte: a omissão é um pecado tão mortal quanto os outros. Tomara que os integrantes do CQC tenham noção.

 

 
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Publicado por em 29 de março de 2011 em Uncategorized

 

A raiva do Corinthians é gerada no gabinete!

Muito se falou a respeito do centésimo gol de Rogério Ceni. Não vou ficar aqui escrevendo sobre a trajetória do goleiro e seu papel no São Paulo. É chover no molhado. O que me intrigou foi a reação desacerbada de torcedores de outros time e até formadores de opinião pública com a vitória do São Paulo sobre o Corinthians. Senti um ressentimento absurdo em relação ao Corinthians. Um ódio além do normal. Interessante que títulos recentes conquistados em Parque São Jorge não explicam. Afinal, o futebol carioca dá as cartas no Campeonato Brasileiro há duas temporadas e a Copa Libertadores não é local para corintianos. Definitivamente. Copa do Brasil? Paulistão? Os troféus conquistados em 2009, sob a batuta de Ronaldo são importantes, mas não justificam.

Tenho uma tese e vou repartí-la. Grande parte do ódio localiza-se no presidente Andrez Sanches. Infelizmente, é um dirigente que não sabe aglutinar e conciliar. Ele só trabalha em cima da divisão.

Vamos aos fatos: o Morumbi tinha o apoio da comunidade paulista para a Copa do Mundo. Andrez tanto fez que ganhou no colo a abertura do Mundial. Apesar de que nenhum tijolo foi erguido. Uma lástima.

Na eleição do Clube dos 13, aliou-se à Ricardo Teixeira, apoiou a candidatura de Kleber Leite e na sequência não teve dúvidas em conduzir o racha na entidade. Sinal de que democracia é um conceito difícil dele engolir com facilidade.

Para terminar, suas entrevistas sempre são um fel de ódio em cima dos rivais. Palavras que ás vezes fora do tom. Calma, ninguém está dizendo que o atual dirigente “inventou” o ódio aos corintianos. Mas ele intensifica com prazer. Relembre apenas o falecido presidente Vicente Matheus. O Corinthians já era detestado na época, tinha intensa rivalidade, mas a figura folclórica e bonachona de Matheus impedia que a relação entre os rivais se deteriorasse. Com Andres é diferente: o que interessa é dividir para somar lá na frente. Mas sempre em prol do Corinthians. E que o futebol brasileiro fique em segundo plano. Lamentável.

 
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Publicado por em 28 de março de 2011 em Uncategorized

 

Adriano, amadureça!

 

Gilmar Rinaldi anunciou na segunda-feira pela manhã o rompimento de seu acordo com Adriano. Chamou Ronaldo de irresponsável por focar a contratação do centroavante pelo Corinthians apenas por causa do plano de marketing e esquecer a recuperação do garoto da Vila Cruzeiro no aspecto emocional.

Pode parecer uma declaração simples, mas está cheio de simbolismos. Em primeiro lugar, é impressionante como os empresários nutrem um temor exacerbado de perder o controle de seus crias. Sim, o ex-goleiro de Internacional e São Paulo também é um empresário. E seu objetivo é aferir lucro. Custe o que custar. Talvez exista nessa manifestação um ressentimento por perder o seu bem mais precioso. Adriano dá trabalho? Sim. Está com problemas emocionais? Sim, aparenta possuir. Mas por outro lado é incrível que ele só jogou em equipes grandes: Flamengo, São Paulo, Internazionale, Parma, Roma…Sinal de que resolve no gramado e gera dividendos. Essa é a esperança de Ronaldo na empreitada. Que, aliás, pode desmentir á vontade, mas também virou empresário. Com seus prós e contras. Em resumo: o jogador continua sendo mercadoria.

Agora, o cenário ocorre porque Adriano permite. É pura força física e talento, mas precisa de uma muleta, uma pessoa sempre atenta. Não consegue decidir por ele.

Na semana passada, o novo reforço corintiano disse que passará a cuidar dos seus negócios e tomar as decisões. Se fizer isso, brigas como a de Gilmar Rinaldi como Ronaldo farão parte do passado. E finalmente poderemos dizer que o homem deixou de ser menino. Se tudo isso ocorrer, a estadia no Corinthians terá valido a pena.

 

 
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Publicado por em 28 de março de 2011 em Uncategorized

 

Do que tem medo Tiago Leifert?

A vida é feita de escolhas. Decisões definem o caminho que vamos seguir e os respectivos benefícios e prejuízos. O jornalismo não foge a regra. No segmento esportivo, talvez o cenário fique ainda mais transparente. De um lado, um grupo defende uma abordagem critica e fiscalizadora a respeito das ações dos cartolas. Do outro, o foco está em focar o futebol como entretenimento. Nada de denúncias, criticas aos atos da cartolagem… o que importa é ver a rede balançar, lançar umas brincadeiras no ar e deixar a galera feliz. Dizem que tal procedimento atrai a audiência de mulheres, crianças e adolescentes. Uma análise que não podemos ignorar. Os homens só assistem televisão basicamente para acompanhar filmes, noticiários e jogos. E compõem uma parte pequena da audiência total.

Ninguém pode negar: Tiago Leifert mudou o parâmetro do jornalismo esportivo no Brasil. Seja no Globo Esporte e na “Central da Copa” no ano passado, seu jeito despachado e bem humorado atraiu seguidores e admiradores. A audiência do programa esportivo principal da Globo aumentou substancialmente. Mérito dele.

Agora, existe o preço a ser pago. O planeta Terra tem conhecimento de que Ricardo Teixeira tem relação estreita com a Rede Globo. Não vê com olhos tristes a movimentação para manter a transmissão na Vênus Platinada no período de 2012 a 2014 do Campeonato Brasileiro. Também está tranquilo em relação ao enfoque do noticiário global nos preparativos para a Copa do Mundo. Calma, a Rede Globo não esconde noticia, ela só não dá destaque demasiado para aquilo que é considerado prioridade para o jornalismo critico.

Infelizmente, para Ricardo Teixeira e a Globo, existe uma oposição militante. Desconfia de tudo e de todos e abraçou com fervor a ideia de uma CPI apresentada pelo deputado Anthony Garotinho.

Automaticamente, nessa fase de debates exaltados, um alvo sempre é procurado. Dessa vez foi Tiago Leifert. O seu twitter foi invadido nos últimos dias por questionamentos de twiteiros sobre a ausência do tema no Globo Esporte. Sua resposta foi ríspida, dura e culminou com sua saída momentânea do microblog nos últimos dias.

Uma matéria publicada na Folha de São Paulo desta sexta-feira (25/03) fez o jornalista mudar de idéia. O texto traz a informação  de que ele teria saído do Twitter por ordens da emissora. Sua reação no Twitter foi intempestiva e chegou a chamar de “imbecis” as pessoas que acreditassem na noticia.

Realmente, não é confortável ter que encarar o seu trabalho na berlinda. Mas penso que tanto Tiago Leifert como todos que abraçaram esse jornalismo de entretenimento esquecem de pontos essenciais. A principal: eles detêm poder. Leifert em especial porque está na emissora de maior audiência do Brasil. Pode construir e arrebentar com reputações de pessoas e de instituições em questão de segundos. É necessária uma boa dose de calma e tranquilidade para lidar com esse tipo de situação porque o outro lado não vislumbra boa intenção em qualquer conjuntura por parte da Globo e de seus funcionários.

Diante disso, a saída é adotar a tolerância.  Se ele acha que o caminho para o Globo Esporte é o da descontração e automaticamente ignorar o jornalismo esportivo, siga a trilha e adote serenidade para lidar com as criticas. Se forem injustas, o tempo tratará de expor os críticos ao ridículo. Apelar e perder a cabeça só dá razão a quem adota tática de guerrilha.

Não sou fã de Tiago Leifert  e do seu estilo de fazer jornalismo. Mas respeito e reconheço seus méritos. Por outro lado, espero que ele também entenda que em uma sociedade democrática é preciso trocar ideias, conceitos e argumentos com o lado opositor. O jornalismo esportivo só ganharia com essa postura. Seja o grupo que adora apenas a bola na rede ou daqueles que sonham em ver Ricardo Teixeira e a cartolagem pelas costas.

 

 
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Publicado por em 25 de março de 2011 em Uncategorized

 

Personagens da minha história: Adriana

Você já reparou na resistência que possuímos em homenagear e reconhecer a importâncias das pessoas em nossas trajetórias? Percebeu como o individualismo prevalece acima de qualquer conceito e como a tolerância ao próximo é ignorada? Sempre que possível, o autor deste singelo blog vai  relatar experiências, troca de ideias e lições assimiladas por intermédio de outras pessoas. Gente como eu ou você. Que sofre, chora, possuem decepções, mas produzem o bem.

Adriana é um exemplo. Nossa amizade é caso atípico. Surgiu nos tempos iniciais das redes sociais e da internet. Demorei um ano para conhecê-la pessoalmente e sabia vagamente que era jornalista, assim como eu.

Não precisava de  pressa para conhecê-la e comprovar sua lisura. A justificativa estava nas suas atitudes simples. Em um simples teclado do computador, sem olhar no interlocutor, Adriana exibia predicados raros: ética, honestidade, retidão, lealdade, paixão pelo que gosta e valorização do conceito de amizade e família.

Tempos depois começou a namorar o seu atual marido e o casamento, ao contrário do que apregoam alguns, não serviu para nos afastar. Pelo contrário: palavra amiga e de conforto saem dos lábios de Adriana e também do seu companheiro (Do qual, aliás, tenho inveja: é um repórter impecável e sabe cantar como poucos. Eu, nem no banheiro me arrisco…).

Nunca, jamais presenciei uma critica contundente emitida dos lábios de Adriana e que é direcionada a outras pessoas. Foi com ela que aprendi o significado da palavra perdão. Não um sentimento superficial, que esconde ódio ou rancor pronto para aflorar em horas indevidas. É esquecer e reconstruir o que antes era intocável.

Adriana tem outro dom: preserva o sonho alheio. Nunca deixa que seus amigos e familiares desistam de seus anseios e desejos. Comigo não foi diferente. Há quatro anos, eu era apenas um jornalista que acompanhava e estudava futebol como hobby e sem perspectiva de constituir uma família. Quantas pessoas pediram para que eu desistisse e abraçasse um emprego, digamos, mais estável? Adriana caminhou no sentido contrário. Pegava o telefone, msn, Orkut e disparava apenas uma frase: “Não desista. Sua hora vai chegar!”. Quando tudo vira realidade, é inevitável recordar quem te ajudou a iniciar a caminhada. Mas eis o paradoxo: Adriana não quer reconhecimento. Faz o bem porque gosta. Simples assim. Pioneira, conseguiu destruir em minha alma um conceito tosco: existe sim, amizade sincera entre homem e mulher. Especialmente quando Deus está no centro da vida de cada um. Adriana pode não conhecer a Biblia Sagrada de cabo a rabo. Mas garanto: sem saber, aplica seus preceitos todos os dias.

Adriana é especialista em estender a mão sem pedir nada em troca. Celebra a felicidade alheia como se fosse sua vitória. Nunca teve dúvidas se iria gostar ou não da pessoa que escolhi para viver  do meu lado o resto da minha vida. Simplesmente acolheu, amou e preocupa-se com nossa felicidade. É raro.

Nos últimos meses, um sentimento vazio invadiu meu coração. Sabia que Adriana encarava dificuldades.. E eu não podia fazer nada. Se pudesse, seria uma eficiência infinitamente menor em relação ao seus desprendimento. Talvez algumas lições do futebol eu deveria aplicar na vida pessoal. A principal: ás vezes, por mais que se esforce, jamais chegará ao talento de um craque. Nesta selva de pedra de seres humanos gananciosos e sem limites, Adriana marca gol de placa todos os dias. Não é pouco.

 
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Publicado por em 18 de março de 2011 em Uncategorized

 

Dilma governa. E (alguns!) pastores agora ficam em silêncio

Soltar palavras e conceitos sem pensar parece ser norma de alguns formadores de opinião no Brasil. Tal atitude fica ainda mais exacerbada no processo eleitoral, quando alguns utilizam espaços privilegiados para propagar suas idéias. Mesmo que sejam desprovidas de conceitos concretos e básicos. Digo  isso para analisar o relacionamento da presidente Dilma Roussef com as lideranças evangélicas brasileiras. Diga-se de passagem: as lideranças fundamentalistas, desprovidas de qualquer sentido de tolerância, amor ao próximo e que, na ânsia de impor suas vontades não pensam duas vezes quando desejam patrocinar atrocidades.

Estou à vontade para falar: sou protestante, tenho orgulho de defender o nome de Cristo e procuro pesquisar as figuras sadias no meio que exercem cidadania em sentido pleno. Existem e são várias como o pastor Ricardo Gondim ou o presidente do Movimento Evangélico Progressista, Valmir Paze.  

Faça uma retrospectiva no tempo. Na última campanha eleitoral,  vídeos virais foram propagados pela internet com pastores recomendando que não se votassem no PT. Pouco interessa que suas ideias estivessem desconectadas da realidade do partido. O objetivo era instituir um período de trevas (totalmente contrário à missão dos sacerdotes. Irônico, mas era assim), sem debate, troca de idéias e até com ameaças: quem votasse na candidata do PT estaria infringindo em sério pecado. Um acinte.

Atitudes como essa colaboraram na montagem de um clima de terror no segundo turno, em que temas como aborto entraram na agenda dos candidatos, mas com uma viés moralista e religiosa. Assuntos que deveriam ser, antes de qualquer coisa, foco de políticas de saúde publica, virou um preceito moral. Claro, o quesito não pode ser esquecido, mas o estado é laico, não tem religião.

Por isso, as normas, para entrarem em vigor, precisam de concordância de toda a sociedade, que mostra uma mosaico de crenças. Esta é a realidade. Quem foge, presta um desserviço. Resultado: no segundo turno, Dilma precisou assinar um documento e estipular para si própria que não iria mudar nenhuma cláusula da legislação do aborto. Quer dizer, quem diz orar pelos governantes decidiu tirar o poder do alvo antes mesmo dele tomar posse.

As eleições passaram, Dilma foi eleita, montou ministério e exibe dia após dia um governo calcado na cobrança de resultados, gerência administrativa, preocupação com politicas sociais e busca de temas urgentes como a distribuição gratuita de remédios para hipertensos e diabéticos, combate ao consumo de crack, luta contra inflação…o que não falta é assunto prioritário.

Eis que pergunto: após proferirem tantas atrocidades, onde estão os pastores que xingaram, avacalharam e humilharam a agora presidenta? Por que não fazem um mea culpa sobre conceitos errôneos propagados aos seus fiéis? Como tacar pedras e destinar açoites para uma pessoa que, mesmo com defeitos e qualidades de qualquer ser humano, sempre foi uma servidora pública exemplar? Dizer que oram pelas autoridades é bom, mas é pouco. Deveriam pedir desculpas pelo caminhão de impropérios. Independente se no final chegarmos á conclusão que seu governo foi ruim.

O procedimento adotado por tais lideranças é igual há vários anos: quando os holofotes estão acesos, alguns abrem a boca e dizem qualquer coisa. Inclusive bobagens. Quando a vida volta ao normal e os debates sérios são instalados no parlamento, movimentos sociais e grupos de discussão, a saída é clássica: ficam submergidos em seus gabinetes com ar condicionados e desprovidos de qualquer argumento positivo para acrescentar. Não conseguem conviver com o contraditório. Sonham com uma sociedade em que apenas o seu pensamento prevaleça. Democracia não funciona assim. Vai mudar? Infelizmente penso que não. Por que se existe algo inexiste na seara evangélica é auto critica e busca de conserto dos seus próprios erros. O jeito é pedir para Deus um auxilio para oriente essa parcela das lideranças a fazer o obvio: cuidar e orientar de suas ovelhas. Já estarão prestando um grande serviço ao país.

 
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Publicado por em 17 de março de 2011 em Uncategorized

 

Realmente queremos uma CPI da CBF?

Todo mundo só pensa em bola na rede. E pouco importa sobre o que rola nos bastidores

 

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) decidiu levar a frente uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar o envolvimento do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na partilha dos lucros da Copa do Mundo de 2014, uma denúncia feita pelo jornal Lance e que agora ganha ressonância. Já conseguiu 117 assinaturas e precisa alcançar o número mágico de 171. Desde já afirmo: sou ultra favorável à CPI. Um evento que vai durar 30 dias, envolverá 12 estádios, outras 32 cidades para receber as seleções, certamente exigirá dinheiro público. E o destino precisa ser investigado com lupa.

Um questionamento, porém, é necessário encaminhar: a sociedade quer realmente a CPI? Ela encara o futebol a sério, como fenômeno de massas e gerador de uma grande riqueza nacional?

Sinto possuir pessimismo neste tema. No Brasil, o futebol não é encarado como negócio e sim como uma grande brincadeira.

Pegue como referência os programas esportivos. Os campeões de audiência não são o Cartão Verde, da Tv Cultura, ou mesmo o Linha de Passe, da ESPN Brasil. O que prevalece são os informativos que encaram o futebol como entretenimento, que focam apenas o lado lúdico da modalidade. Por isso, Tiago Leifert, do Globo Esporte, é considerado um gênio enquanto que Juca Kfouri é apenas um mal humorado de plantão. Independente se suas denúncias forem verdadeiras. Importa manter o espetáculo em pé.

O povo brasileiro bate no peito e afirma que futebol é patrimônio nacional. Porém, se seu clube  encontra-se em primeiro lugar, conquista vitórias e levanta títulos, pouco importa se aparecerem denúncias de enriquecimento ilícito por parte de dirigentes. Em resumo: se levarmos a ferro e fogo, não é apenas Ricardo Texeira que deveria sentar no banco de réus. Nós, torcedores, também deveríamos sentar. Pelo crime de omissão.

 
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Publicado por em 17 de março de 2011 em Uncategorized