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Arquivo mensal: junho 2011

30 de junho de 2002: o dia em que o futebol exalou felicidade

A madrugada do dia 30 de junho de 2002 talvez tenha sido a mais ansiosa de minha vida. Foram 30 dias trocando o dia pela noite e sofrendo com uma Seleção formada por caras legais, um técnico bonachão e uma história de superação ilustrada por um atacante dentuço.

Era imperdível. Por ser brasileiro  e querer presenciar o segundo título mundial em oito anos.

Não resisti e fiquei de olhos abertos a noite inteira. Ouvia José Silvério direto do Japão e em papo descontraído com Roberto Avalone e Claudio Zaidan, o maior apresentador de rádio que acompanhei.

Eles me embalaram e fizeram com que suportasse a vigília. As 06h em ponto, o despertador tocou. Parecia um adolescentes prestes a ganhar um presente valioso. Mas aquela final entre Brasil e Alemanha tinha gosto especial.

Valeu a pena pegar o meu Corsa preto, cruzar a cidade, presenciar as ruas coloridas de verde e amarelo e aquela atmosfera de otimismo e especialmente de solidariedade.

Não queria ficar sozinho. Por isso, combinei com amigos assistirmos ao jogo na casa da Beatriz Toledo. Culta, esforçada, dedicada e de bom humor, Bia, para os amigos, acompanhava futebol ao longe. Porém, o sentimento patriótico falou mais alto.

Minha ansiedade também. Toquei a campainha ás 07h20. Calma, educada e sorridente, sua mãe, fez as honras da casa. Antes da bola rolar, já tinha pisado nela. Beatriz, Carolina, sua irmã e Milene, uma amiga, tinham acabado de acordar. Lembro que usavam pijamas que remetiam aos anos 1960. Só faltava o gorrinho.

Bem, após cumprimentos, as outras testemunhas apareciam: Jean, Paulo, André, Ana Ruth…todos com alegria estampada no peito. Confiantes. Eu, por outro lado, sofria. De tanto assistir ao Brasil, sabia de suas virtudes e defeitos. Reconhecia o esforço de Lúcio, Roque Junior e Edmilson, mas considerava uma defesa lenta e sem poder de recuperação. A pixotada contra a Inglaterra não saia de minha mente.

Com tantas variações em jogo, quem teria coragem de tomar café da manhã? Pois é, a alma obesa recusou doces, pães, leite e qualquer produto que me ofereciam. Tive forças para escolher um cantinho do sofá e me resignar.

Quando a bola rolou, o embate era parelho e brasileiros e alemães tinham chances iguais. O cenário remetia-me ao desespero de imaginar que aquela alegria existente naquela salinha apertada, de no máximo 20 metros quadrados poderia virar pó.

Veio o segundo tempo e a história tratou de ser escrito. Rivaldo chuta, o goleiro defende e Ronaldo confere. Posteriormente, novo cruzamento, Rivaldo deixa a bola passar e o camisa nove brasileiro explode as redes.

Nas duas oportunidades, não vibrei. Apenas admirei meus amigos em êxtase e em busca de um complemento de felicidade. Ver pessoas tão lega e puras e inocentes em confraternização era algo que deixava até mais satisfeito do que a conquista do titulo. O futebol, esporte simples e sem frescura atinge a sua meta: cria heróis e mitos e gera uma marca inquebrantável na alma.

 A partida acabou e confesso que fiquei ali, por minutos, fixo na televisão e com ímpeto para tentar compreender como existe gente que não gosta de futebol. Um esporte que não gera apenas vitórias, mas também estabelece pactos de amor e solidariedade pela eternidade. Bia, Dirceu, Leila, Carolina, Ana Ruth, André, Paulo, Jean…Posso até um dia esquecer do meu nome, mas os momentos de confraternização gerados por aquela final, eu jamais apagarei. Assim como aquele relâmpago de felicidade viabilizado pela genialidade de Rivaldo e talento de Ronaldo. São nove anos de saudades e de agradecimento por ter privado do convívio de pessoas tão especiais. Viva o futebol brasileiro!

 
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Publicado por em 30 de junho de 2011 em Uncategorized

 

Mude a postura, Juvenal!

Foram cinco vitórias consecutivas. A liderança parecia eterna. Eis que a saída de Lucas e derrotas para Corinthians e Botafogo colocam em dúvida a capacidade do São Paulo treinado por Paulo César Carpegiani. Claro, não serei hipócrita em elogiar o trabalho do atual comandante do São Paulo. Longe disso. Também não faço parte da turma que aposta em Cuca como a salvação da lavoura.

A explicação do drama vivido pelo São Paulo é algo mais profundo e não seria uma alteração nominal que fará a equipe jogar um futebol de sonhos do dia para a noite. Pelo contrario.

A questão está na filosofia administrativa. Não custa recordar: quando assumiu como diretor de futebol, e 2005, Juvenal Juvêncio, adotou como premissa usar as brechas permitidas pela Lei Pelé para trazer jogadores de valor. Ele esperava o contrato acabar, fazia a proposta e quando a concorrência aparecia era tarde demais.

Mas os outros aprenderam e Juvenal Juvêncio ficou apenas com a pose e empáfia. Pior: comete erros grosseiros e quer transmitir a sensação de poderio são paulino sendo suficiente para criar uma nova onda de vitórias. Estrutura utilizada como argumento para diminuir a importância de Muricy Ramalho nas conquistas dos títulos brasileiros de 2006, 2007 e 2008. O tricolor anda de braços dados com a inovação em toda a sua história. Afinal, bancou Leônidas e Zizinho em tempos de preconceito contra jogadores veteranos. Construiu um estádio particular de proporções gigantescas. É inadmissível a agremiação possuir dirigentes com ares de naftalina.

 
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Publicado por em 30 de junho de 2011 em Uncategorized

 

Olivio Dutra: um político com “P” maiúsculo

Não gosto de reproduzir matérias de outros veículos de comunicação. Mas vou abrir exceção. A revista Carta Capital traz um interessante perfil de Olivia Dutra. Radical sim, briguento talvez, mas um sujeito honesto e que vê-se nitidamente que não se contaminou pelo poder e dinheiro. Uma aula de vida. Confiram:

Do Viomundo

Olívio Dutra, o anti-Palocci

por Lucas Azevedo, de Porto Alegre, em CartaCapital

Em um velho prédio numa barulhenta avenida de Porto Alegre, em companhia da mulher, vive há quatro décadas o ex-governador e ex-ministro Olívio Dutra. Em três ocasiões, Dutra abandonou seu apartamento: nas duas vezes em que morou em Brasília, uma como deputado federal e outra como ministro, e nos anos em que ocupou o Palácio do Paratini, sede do governo gaúcho. Apesar dos diversos cargos (também foi prefeito de Porto Alegre), o sindicalista de Bossoroca, nos grotões do Rio Grande, leva uma vida simples, incomum para os padrões atuais da porção petista que se refastela no poder.

No momento em que o PT passa por mais uma crise ética, dessa vez causada pela multiplicação extraordinária dos bens de ex-ministro Palocci, Dutra completou 70 anos. Diante de mais uma denúncia que mina o resto da credibilidade da legenda, ele faz uma reflexão: “Política não é profissão, mas uma missão transitória que deve ser assumida com responsabilidade”.

De chinelos, o ex-governador me recebe em seu apartamento na manhã de terça-feira 14. Sugeriu que eu me “aprochegasse”. Seu apartamento, que ele diz ter comprado por meio do extinto BNH e levado 20 anos para quitar, tem 64 metros quadrados, provavelmente menor do que a varanda do apê comprado por Palocci em São Paulo por módicos 6,6 milhões de reais. Além dele, o ex-governador possui a quinta parte de um terreno herdado dos pais em São Luiz Gonzaga, na região das Missões, e o apartamento térreo que está comprando no mesmo prédio em que vive. “A Judite (sua mulher) não pode mais subir esses três lances de escada. Antes eu subia de dois em dois degraus. Hoje, vou de um em um.” E por que nunca mudou de edifício ou de bairro? “A vida foi me fixando aqui. E fui aceitando e gostando”.

Sobre a mesa, o jornal do dia dividia espaço com vários documentos, uma bergamota (tangerina), e um CD de lições de latim. Depois de exercer um papel de destaque na campanha vitoriosa de Tarso Genro ao governo estadual, atualmente ele se dedica, como presidente de honra do PT gaúcho, à agenda do partido pelos diretórios municipais e às aulas de língua latina no Instituto de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “O latim é belíssimo, porque não tem nenhuma palavra na sentença latina que seja gratuita, sem finalidade. É como deveria ser feita a política”, inicia a conversa, enquanto descasca uma banana durante seu improvisado café da manhã.

Antes de se tornar sindicalista, Dutra graduou-se em Letras. A vontade de estudar sempre foi incentivada pela mãe, que aprendeu a ler com os filhos. E, claro, o nível superior e a fluência em uma língua estrangeira poderiam servir para alcançar um cargo maior no banco. Mas o interior gaúcho nunca o abandonou. Uma de suas características marcantes é o forte sotaque campeiro e suas frases encerradas com um “não é?” “Este é o meu tio Olívio, por isso tenho esse nome, não é? Ele saiu cedo lá daquele fundão de campo por conta do autoritarismo de fazendeiro e capataz que ele não quis se submeter, não é?”, relembra, ao exibir outra velha foto emoldurada na parede, em que posam seus tios e o avô materno com indumentárias gaudérias. “É o gaúcho a pé. Aquele que não está montado no cavalo, o empobrecido, que foi preciso ir pra cidade e deixar a vida campeira”.

Na sala, com exceção da tevê de tela plana, todos os móveis são antigos. O sofá, por exemplo, “tem uns 20 anos”. Pelo apartamento de dois quartos acomodam-se livros e CDs, além de souvenires diversos, presentes de amigos ou lembrança dos tempos em que viajava como ministro das Cidades no primeiro mandato de Lula.

Dutra aposentou-se no Banrisul, o banco estadual, com salário de 3.020 reais. Somado ao vencimento mensal de 18.127 reais de ex-governador, ele leva uma vida tranquila. “Mas não mudei de padrão por causa desses 18 mil. Além do mais, um porcentual sempre vai para o partido. Nunca deixei de contribuir”.

Foi como presidente do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, em 1975, que iniciou sua trajetória política. Em 1980, participou da fundação do PT e presidiu o partido no Rio Grande do Sul até 1986, quando foi eleito deputado federal constituinte. Em 1987, elegeu-se presidente nacional da sigla, época em que dividiu apartamento em Brasília com Lula e com o atual senador Paulo Paim, também do Rio Grande do Sul. “Só a sala daquele já era maior do que todo esse meu apartamento”.

Foi nessa época que Dutra comprou um carro, logo ele que não sabe e nem quer aprender a dirigir. “Meu cunhado, que também era o encarregado da nossa boia, ficava com o carro para me carregar.” Mas ele prefere mesmo é o ônibus. “Essa coisa de cada um ter automóvel é um despropósito, uma impostura da indústria automobilística, do consumismo”. Por isso, ou anda de carona ou de coletivo, que usa para ir à faculdade duas vezes por semana.

“Só pra ir para a universidade, gasto 10,80 reais por dia. Como mais de 16 milhões de brasileiros sobrevivem com 2,30 reais de renda diária? Este país está cheio de desigualdades enraizadas”, avalia, e aproveita a deixa para criticar a administração Lula. “O governo não ajudou a ir fundo nas reformas necessárias. As prioridades não podem ser definidas pela vaidade do governante, pelos interesses de seus amigos e financiadores de campanha. Mas, sim, pelos interesses e necessidades da maioria da população”.

O ex-governador lamenta os deslizes do PT e reconhece que sempre haverá questões delicadas a serem resolvidas. Mas cabe à própria sigla fazer as correções. “Não somos um convento de freiras nem um grupo de varões de Plutarco, mas o partido tem de ter na sua estrutura processos democráticos para evitar que a política seja também um jogo de esperteza”.

Aproveitei a deixa: e o Palocci? “Acho que o Palocci fez tudo dentro da legitimidade e da legalidade do status quo. Mas o PT não veio para legitimar esse status quo, em que o sujeito, pelas regras que estão aí e utilizando de espertezas e habilidades, enriquece”.

E o senhor, com toda a sua experiência política, ainda não foi convidado para prestar consultoria? Dutra sorri e, com seu gestual característico, abrindo os braços e gesticulando bastante, responde: “Tem muita gente com menos experiência que ganha muito dinheiro fazendo as tais assessorias. Mas não quero saber disso”.

Mas o senhor nunca recebeu por uma palestra? “Certa vez, palestrei numa empresa, onde me pagaram a condução, o hotel e, depois, perguntaram quanto eu iria cobrar. Eu disse que não cobro por isso. Então me deram de presente uma caneta. E nem era uma caneta fina”, resumiu, antes de soltar uma boa risada.

 
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Publicado por em 28 de junho de 2011 em Uncategorized

 

Neymar-Ganso x Messi-Pedro: o comprometimento pode fazer diferença

Apesar de o Campeonato Brasileiro correr  à solta, o desafio do Santos no próximo Mundial de Clubes tornou-se o assunto preferido nas rodas de futebol. Muitos acreditam em tênues possiblidades da equipe treinada por Muricy Ramalho. O poderio técnico de Messi, Xavi, Iniesta, David Villa e do espetacular Pedro podem transformar em rolo compressor diante dos humildes Edu Dracena e Durval.

Não entendo assim. O próprio Mundial está cheio de exemplos de equipes brasileiras tecnicamente inferiores e que no final das contas conseguiram prevalecer graças especialmente a um bom planejamento tático. Que o digam as vitórias do São Paulo em 1992, 1993 e 2005 e o troféu arrebatado pelo Internacional em 2006.

Em um aspecto, no entanto, o time espanhol está muito à frente: identificação dos jogadores com a camisa. Messi e Pedro, por exemplo, foram formados nas categorias de base e nunca, jamais, demonstraram qualquer intenção de sair. Pelo contrário. Possuem orgulho de vestir a camisa do Barça e de representar o povo da Catalunha. Se atuassem no futebol inglês, por exemplo, certamente teriam acesso a polpudas somas em dinheiro. Não renegam suas raízes.

No Santos, o caso é diferente. Neymar e Paulo Henrique Ganso foram formados nas categorias de base do clube e desde os passos iniciais, a transferência ao futebol internacional virou norma de conduta dos seus empresários. O presidente do clube, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, para não perder as pedras preciosas, fez diversas engenharias financeiras e mesmo assim para que o staff dos atletas não se comoveu: Neymar aliou-se a Ronaldo e aguarda a proposta do Real Madrid. Ganso toca a bola de um lado e do outro declara sua expectativa em defender o Milan.

Infelizmente, o jogador brasileiro perdeu há muito tempo a identidade e isso muda o foco. Pedro e Messi vão defender o Barcelona e querem o titulo para fazer história e depois colher (mais) frutos financeiros, sem pressa. Ganso e Neymar, se permanecerem na Vila, querem o titulo como cartão de visitas para negócios de ocasião. Pode parecer que não, mas tal enfoque poderá  fazer diferença.

 
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Publicado por em 28 de junho de 2011 em Uncategorized

 

O povão não assistirá (e nem fiscalizará) a Copa do Mundo

Manchete do jornal Folha de São Paulo desta terça-feira relata que a presidenta Dilma Roussef voltará atrás e quer abrir os contratos das licitações para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. No mesmo jornal, afirma-se que já está decidido que 5% da carga dos ingressos será destinada ás populações carentes e aos operários que participaram da construção e da reforma dos estádios. Pode parecer que não, mas os dois temas tem relação direta.

Ao decidir fechar os contratos, apesar da nobre intenção de evitar manipulação nos resultados, a presidenta estava apenas e tão somente construindo uma elitização do processo. Ou seja: o assunto interessa a muitos. Porém, só uma parte terá acesso ao total. Dilma promete que o procedimento será diferente e a transparência será adotada. Mesmo assim, fica-se com a impressão de que a Copa do Mundo não é um projeto coletivo e de nação e sim privilegio de Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e uma meia dúzia de eleitos.

O caso se aplica também a questão dos ingressos. Quando afirma que vai destinar parte dos bilhetes as populações carentes, o aviso é claro: a Copa do Mundo é evento para as elites. Pouco importa que o povão seja o sustentáculo financeiro do futebol brasileiro. Que as torcidas organizadas queiram fazer festas que demonstrem a importância das pessoas carentes. Interessa é fazer uma vitrine virtual para a Copa do Mundo. Gente bonita, elegante e com a pele bem tratada. Dane-se se não saber o lado que a bola rola.

O quadro mudará? Dificilmente. No Brasil, apesar do esforço feito por Lula por intermédio de seus programas de renda e para que essas pessoas façam parte da opinião pública, pobre e multidão é empecilho no Brasil. Pelo menos para uma parte da elite e dos dirigentes de futebol. Seja para fiscalizar a construção de um novo estádio ou para ocupar suas arquibancadas.

 
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Publicado por em 28 de junho de 2011 em Uncategorized

 

Rogério Ceni: um grande goleiro com pequena (ou nenhuma!) tolerância para críticas

Para quem acompanha futebol, o dia de maior repercussão é a segunda-feira. É o período dedicado para a resenha, a tiração de sarro e a graça que viram combustível para essa paixão chamada futebol. Pelas ruas de Campinas, a goleada do Corinthians sobre o São Paulo por 5 a 0 é o grande destaque e um detalhe me chamou atenção: o ódio destinado ao goleiro Rogério Ceni. Ao encontrar um torcedor no Largo do Carmo seu rosto exalava felicidade não só porque a goleada tinha virado realidade, mas porque o goleiro do tricolor paulista tinha saído de cabeça baixa. Era como se todas as torcidas tivessem vivido um período de catarse.

De cara, esclareço: gosto de Rogério Ceni e considero um dos 10 maiores atletas da história do São Paulo, ao lado de Roberto Dias, Serginho, Pedro Rocha e Leônidas da Silva. Seu nome está cravado em virtude da conquista da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes de 2005 e do tricampeonato brasileiro de 2006 a 2008. Não é pouco. Sem contar os gols anotados, uma marca quase impossível de ser superada.

Mas Rogério Ceni tem um grave defeito. Age como político em todas as horas. Quando digo político não apenas e tão somente a atitude política de agradar ou bajular um interlocutor. Infelizmente, Rogério Ceni tem dentro de si apenas o aspecto negativo da função. Ou seja, o arqueiro são-paulino é especialista em aproveitar-se dos fatos positivos e capitalizar em seu favor. Mas após 20 anos de carreira, ele não consegue exibir uma postura adequada quando a derrota aparece. Suas atitudes são duas: ou adota um silêncio incomôdo – como após o clássico de domingo – ou desqualifica o interlocutor.

Percebam que toda vez que é cobrado por uma derrota ou falha e decide, Rogério Ceni sempre coloca em suas frases a ideia de qualquer critica de jornalista é inválida porque esses profissionais “nunca estiveram lá”. Sintoma de quem não aceita perder? É verdade e tal aspecto é positivo. Mas também são comportamentos de quem exibe uma imagem (que pode ser falsa, diga-se) e colocou-se em um pedestal e não quer ser incomodado. Excetuando-se quando for algum fã para pedir autográfo ou destinar toneladas de carinho. Dessa maneira, fica difícil, quase impossível, evitar a imagem de antipático.

 
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Publicado por em 27 de junho de 2011 em Uncategorized

 

Torcidas Organizadas querem mudar sua imagem. Ainda bem!

Há cinco anos faço trabalhos radiofônicos para a CUT Campinas e para o Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo. Tive a chance de conviver e estreitar contato com movimentos sociais, sindicalistas e políticos dos mais diversos espectros do movimento progressista. Nesta segunda-feira, no entanto, tive uma grata surpresa ao deparar-me com a chance de conversar com Wildner Rocha, presidente da  Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (Conatorg), entidade fundada no ano passado e que já conta com 40 torcidas de todo o Brasil e que possue o respaldo da CUT.

Pode parecer incrível, mas considero uma ótima noticia. O caminho mais fácil para qualquer jornalista é a de criminalizar as torcidas organizadas e dizer que todos merecem cadeia. Com todo o respeito, é um pensamento simplista, preconceito e fora de sintonia. Queiramos ou não, as torcidas organizadao s elas representam uma faixa da população e gosta do futebol. Muitas vezes, são as únicas que carregam o estandarte do clube nos jogos fora de sua alçada. Patrocinam festas fabulosas, grandiosas na entrada das equipes e são celeiros para a montagem de músicas e gritos de incentivo emocionantes. Sei que pode parecer preconceituoso e antecipadamente peço desculpas se alguém se sentir ofendido, mas o estádio de futebol frequentado por um público majoritariamente por pessoas das classes A e B, é um cemitério com gramado delimitado. Tudo parece ensaiado, travado e sem vida. Queiramos ou não, são as torcidas organizadas responsáveis pelo colorido do futebol, seja no Brasil, Argentina, Itália, Espanha, entre outros país.

Então, qual é o problema? Na minha concepção, são dois e igualmente graves. O primeiro é a violência desembestada patrocinada por alguns componentes de torcida organizada e que trazem prejuízos e mortes em escala preocupante. No médio prazo, ajuda a disseminar a ideia de que o futebol não é local para convivência pacifica entre torcidas organizadas e o torcedor comum. Se não bastasse isso, existe outro entrave: o relacionamento ás vezes promiscuo em que algumas torcidas entregam-se de corpo e alma aos dirigentes de plantão.

Ao entrevistar Wildner Rocha senti pensamentos claros e boas intenções. Tanto que uma de suas prioridades é a luta pelo cumprimento do Estatuto do Torcedor. Se a entidade fiscalizar o cumprimento dessa lei e combater os dois vícios acima citados, já terá valido a pena tanto esforço.

 
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Publicado por em 27 de junho de 2011 em Uncategorized