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Dilma e a grande imprensa vão acertar os ponteiros?

29 ago

O Jornal Folha de São Paulo exibe hoje uma matéria interessante: a presidenta Dilma Roussef decidiu privilegiar entrevistas exclusivas para rádios locais em detrimento da mídia nacional. No relato, o jornal tenta vender a versão de que os interlocutores sempre abordam a mandatária de modo simpático, sem fazer perguntas incomodas. Do outro lado, parece existir uma preguiça para a realização de entrevistas coletivas.

É novo capítulo do relacionamento do PT com a grande imprensa. É um tema que deve ser analisado por dois prismas. No primeiro, é salutar e positivo que a presidenta conceda entrevistas a diversas regiões do pais e que utilize o rádio. Dá prestigio a um veiculo pobre em verbas publicitárias, ganha tempo maior para expor suas ideias e de quebra esclarece pontos importantes. Sejamos francos: quem está em Brasilia não vai perguntar sobre problemas de âmbito federal existentes em Sergipe, Amazonas, Pará, Paraná…O motivo não é porque não queira. Simplesmente porque o foco é outro.

Agora, se o apresentador não está preparado para, mesmo de modo educado e cortês, fazer perguntas pertinentes, o problema não é da presidenta e sim que se submete a uma situação como essa. Em Campinas, cidade em que resido, existem dois ancoras, José Arnaldo e Walter Paradella, independente de suas posições políticas, tenho certeza que jamais fariam uma entrevista chapa branca.

A atitude de Dilma, por outro lado, é a prova cabal da desconfiança que ela nutre pela grande imprensa. Tenho certeza que ela enfrentaria de peito aberto toda e qualquer pergunta. Mas será que ela não tem receio de que seja tratada de modo grosseiro ou que suas respostas sejam distorcidas?

Sou muito sincero: o PT reclama da imprensa, mas já deu vários motivos para receber tratamento desigual, especialmente porque mistura no mesmo balaio a critica construtiva e a análise envenenada. Comete injustiças e colhe frutos amargos. Exemplo prático: Paulo Moreira Leite, da Revista Época, é exemplo de jornalista critico, independente, mas que não faz ilações ou acusações sem fundamento. Jânio de Freitas, da Folha de São Paulo, também está inserido no clube.

Enquanto isso, a imprensa, dona de papel fundamental no funcionamento da democracia, deveria incutir na cabeça que as ideologias deveriam encontrar-se nos editoriais. O noticiaria deve retratar os acontecimentos. Se for contra o PT, lamente-se. Se for a favor, não precisa bajular, mas ignorar também não dá.

Em resumo: se todos estiverem cientes de seus papéis no jogo democráticos, debates como esses não serão necessária. E a coletiva poderá transcorrer normalmente sem precisar ficar com inveja da rádio do interior Piauí que bateu papo no dia anterior com Dilma. Não custa sonhar…

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Publicado por em 29 de agosto de 2011 em Uncategorized

 

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