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MMA ( ou UFC, como queiram) vai desbancar o boxe. Futebol é outra história…

30 ago

Esperei alguns dias para formular meu pensamento. Pois reconheço que o tema é polêmico. E antigo. Afinal, existe uma busca incessante para colocar algum esporte no pedestal da preferência do brasileiro. O vôlei brasileiro ficou com medalha de ouro por vários anos e uma gestão profissional fomentou uma liga nacional com equipes equilibradas e talentosas. O único entrave é o fato de que tais times não nutrem a identidade verificada nos clubes de futebol. O basquete brasileiro vive crise técnica profunda. Agora, o que antes era chamado de Vale Tudo, agora ganhou as ruas e muitos corações. O MMA atrai adeptos e fanáticos pelo mundo todo. Anderson Silva é o herói que todo esporte desejaria possuir: carismático, talentoso e dono de uma potência nos golpes e socos que chega a assustar.

Confesso que não vi todas as lutas do UFC Rio no último sábado. Mas acompanhei com atenção a última com Anderson Silva. Tirei algumas conclusões e passei a entender o sucesso da modalidade.

As qualidades

Em primeiro lugar, é um esporte que explora todas as possibilidades oferecidas da televisão. As imagens são impecáveis, o enquadramento valoriza cada atleta e parece que você está realmente em uma arena nos moldes do império romano. Cada protagonista do espetáculo é apresentado de modo especial. Na hora do Anderson Silva entrar na arena (peço perdão, mas não sei escrever o nome do lugar), colocaram o atleta em um local em que foi valorizada uma tomada com uma tela de fios de nylon ao fundo. Era a valorização do seu apelido, “Spyder”. Belíssima sacada.

Na hora da luta em si, apesar de ser violentíssima, é interessante como as emissoras de televisão enfocam de um modo que tudo aquilo fica relativizado. Em certas horas, parece que você presencia um vídeo game em tempo real. É atraente aos olhos. Incrivel, mas você passa até a ignorar o adversário destroçado e as vezes com ferimentos.

Mas  existem os defeitos. Que não se referem ao esporte em si, mas aos símbolos que são transmitidos. O MMA é um esporte que enfatiza a individualidade ao extremo. Não há técnico, nutricionista, preparador físico…tudo é em torno da figura do lutador. Um sintoma da nossa sociedade atual, que premia apenas o valor individual e deixa o conceito coletivo em segundo plano.

A sensação que o MMA transmite a este blogueiro é que não existe solidariedade ou compaixão ao próximo em situações de extremo risco ao desafiante derrotado. É colocar o lutador ganhador no pedestal e ponto. Claro, não vou ignorar que existem atitudes solidárias. Mas não são valorizadas pelas transmissões televisivas, que é o que interessa. Vale o individuo. Mesmo no boxe, presenciei pela televisão lutas sangrentas em que assisti, existia um sentido de preservação por parte do vencedor. Mesmo com Mike Tyson nos seus grandes momentos.

Não gosto de tecer teorias, mas essa ênfase no individualismo explica a explosão na venda de pacotes de pay per view. Queremos heróis de carne e osso. Não aceitamos que fiquem restritos ao cinema e as histórias em quadrinhos.

No lugar do futebol?

Após esta explicação, o essencial: Dana White, dono da modalidade, está certo ao dizer que o futebol será ultrapassado pelo MMA, em 10 anos? A resposta é não!

Por uma questão simples: por pior que esteja o futebol atual, a preferência do brasileiro é fruto de uma história que envolve cultura e comunidade. Exemplo: você consegue imaginar um italiano ignorar o Palmeiras? Ou alguém que resida na periferia de São Paulo sem mostrar sua paixão pelo Corinthians?

Esses e outros clubes são frutos de uma paixão coletiva, construída com suor e que passam a fazer parte da identidade do povo. Por mais que a sociedade premie o individualismo. Exemplo prático: o dia que o Corinthians for campeão da Libertadores ou que o Santos vencer o Mundial, é bem provável que vejamos multidões acompanhando um caminhão do corpo de bombeiros. No caso do MMA, isso até poderá acontecer, mas em proporção menor.

MMA e seu lugar

Penso que o MMA vai sim, destronar o boxe, decadente, envolto em vícios na sua promoção e cujo campeões não gozam de qualquer credibilidade. Pergunte nas ruas quem é o atual campeão dos pesos pesados. Ninguém saberá responder. Nem eu. Mas você encontrará milhares de pessoas que sabem a carreira de Anderson Silva e de Minotauro na ponta da língua. O rebaixamento de valor do boxe é questão de tempo.

O futebol está em outro estágio. Para exemplificar isso relembro uma história vivida com Bebeto de Freitas, ex-presidente do Botafogo e que em 1995 treinava o time da Olympikus em Campinas. Em certo após um treinamento no ginásio do Taquaral, perguntei a ele como ele montava a hierarquia de preferência esportiva do brasileiro. Não pensou duas e vezes e disse que o vôlei estava em primeiro lugar, o basquete na segunda posição e que a Fórmula 1 completava o pódio. Não me contive e perguntei:

– Ué,  e o futebol?

Sua resposta foi precisa:

– Você pediu para falar de esporte. Futebol no Brasil é religião.

É, tem razão.

 Observação: esse artigo é apenas uma reflexão. Não tem a intenção de atacar qualquer fã ou apaixonado pelo esporte.

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Publicado por em 30 de agosto de 2011 em Uncategorized

 

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