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Uma visão ácida (e justa) do jornalismo esportivo brasileiro…

31 ago

Nunca escondi minha resistência aos dirigentes de futebol. Considero, infelizmente, em sua maioria, vaidosos, individualistas e dotados de falta de preparo e de visão para as coisas do futebol. Mas existem exceções, especialmente nos clubes que abraçaram o conceito de modernidade. O ex-diretor de futebol do Internacional, Roberto Seligman deu uma entrevista corajosa ao Portal Sul21 e cuja integra pode ser conferida aqui.

Mas decidi separar especialmente a análise que ele faz da crônica esportiva. É cruel, ácido e verdadeiro. Apesar de algumas injustiças cometidas. Vou repartir sua declaração em algumas partes para tecer meus comentários. Confira: “Querem saber? Vocês não vão bater em mim? Eu acho a imprensa esportiva a mais desqualificada de todas. Para ser jornalista econômico, o cara deve saber algo de economia; para ser jornalista político, o cara tem que ter um conhecimento mínimo de como as coisas funcionam e as competências de cada setor e órgãos. Para ser jornalista esportivo é só o cara falar bem e saber que são onze contra onze. Porque de resto é só inventar ou embelezar os fatos.

Comentário meu: Ele está certo. O jornalismo esportivo hoje valoriza mais o entretenimento do que o conhecimento sobre a modalidade. Infelizmente, somos mais torcedores do que estudiosos no assunto. Achamos que o torcedor não deve conhecer a história, trajetória do clube ou os métodos de trabalho do treinador de plantão. Tudo caminha para ser superficial, descartável, com foco apenas no espetáculo. Com a benção de Tiago Leifert.

“Veja o rádio: temos três ou quatro emissoras que dedicam 60% de seus espaços com esporte. Não há tanto assunto. E em Porto Alegre só há dois clubes grandes. O que ocorre é a valorização da banalidade absoluta. Eu enfrentei o caso Índio no ano passado. Foi um massacre da imprensa para cima dele por causa daquele corte na mão. E eu bati de frente com a imprensa, blindei o Índio. Por quê? Ora, ele estava de folga. Não interessa se ele caiu em casa ou noutro lugar, temos que resguardar a individualidade, mas aquilo precisava virar notícia e escândalo.” Comentário meu: o que o ex-dirigente afirma é a constatação de que a banalidade venceu a guerra dentro do noticiário esportivo. Você, que lê estas linhas, não se engane: quando algum veiculo de comunicação coloca ex-jogador como analista, ele pretende alcançar alguns pontos: intensificar que o esporte seja diversão e entretenimento e ignorar qualquer vestígio de espirito critico. Exceções concedidas a Casagrande e Tostão. E só. Só discordo em um pouco: o jornalismo esportivo precisa de bom espaço no rádio e televisão sim. Existem assuntos relevantes a serem tratados. Se eles estão em segundo plano, a culpa é inteiramente nossa e não do mundo do futebol em si. Exemplo prático: por que preciso esperar um dito jornal sério cobrir atos de corrupção na Fifa ou na CBF? A resposta é simples: não cobrimos porque não estamos preparados.

(…)Eu só respeito o Ruy Carlos Ostermann, recém aposentado, que tinha uma visão de mundo que extrapolava os limites do futebol. Ele não se metia em fofocas(…)”Comentário meu: É lamentável que Ruy Carlos Ostermann seja exceção. Não peço que ninguém conheça os quatro cantos do mundo. Nada disso. Mas que esteja sintonizado com as demandas do mundo e esteja aberto à aquisição de conhecimento.

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Publicado por em 31 de agosto de 2011 em Uncategorized

 

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