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Arquivo mensal: setembro 2011

Azenha coloca o dedo na ferida

Grande reporter atualmente na Rede Record, Luiz Carlos Azenha concede ultima boa chance de reflexão. Veja, leia e reflita:

Quando eu era criança, em Bauru, existia uma figura quase mítica chamada coronel Amazonas.

Eu digo mítica porque não consigo encontrar hoje em dia informação sobre este personagem, que com certeza foi importante para implantar a primeira rede de televisão de alcance nacional no Brasil, se de fato ele fez o que era atribuído a ele.

O coronel Amazonas era o homem das torres.

Naquele tempo não existia satélite e as imagens de TV eram distribuídas a partir de torres que ficavam na parte alta das cidades.

Era o tempo do regime militar e uma das poucas coisas que as pessoas reinvindicavam, então, era um sinal de TV sem chuvisco.

Teve muito vereador e prefeito do interior que se elegeu graças ao bom sinal de TV que “trazia” para a cidade.

O mítico personagem de minha infância, o coronel Amazonas, era quem cuidava da expansão da Rede Globo.

Pelo que contavam, ele chegava na Prefeitura, pedia um terreno na parte alta da cidade, ganhava o terreno público, instalava os equipamentos e o sinal da Globo chegava sem chuviscos.

A Globo tinha uma relação simbiótica com o regime e facilidade para importar equipamentos.

Era uma vantagem enorme em relação aos concorrentes, já que ninguém queria ver TV com chuviscos.

O sinal da Globo era limpinho. O das outras emissoras, quando chegava, era irregular.

Estou falando do tempo em que a TV tinha acabado de ser importada dos Estados Unidos.

Do tempo em que a doutrina de segurança nacional tinha acabado de ser importada dos Estados Unidos.

Do tempo em que parte da esquerda brasileira queria importar o foquismo, de Cuba.

O foquismo dizia que para fazer a revolução você precisava criar um foco numa área geográfica e, a partir daí, expandir o bolo.

A esquerda queria expandir o bolo para fazer a revolução.

A direita dizia que era preciso primeiro crescer o bolo, para só depois dividir.

O foquismo não foi para frente no Brasil, mas lutar contra ele foi a justificativa para que o regime militar e a Rede Globo fossem para a frente.

O regime acreditava que era preciso integrar o Brasil e que isso seria feito por uma emissora de TV de alcance nacional.

A Globo cresceu junto com a Embratel, que era a empresa pública de comunicações.

O coronel Amazonas, funcionário da Globo, era o nexo do arranjo entre o Estado e a iniciativa privada, financiado com dinheiro público.

Dei esse exemplo porque não dá para falar em mídia no Brasil sem falar em história da mídia.

A história da mídia brasileira é marcada pela relação dela com o Estado.

Foi D. João VI quem criou a Imprensa Nacional.

Não foi por acaso que a TV Excelsior, que pertencia a um empresário que se opôs ao golpe de 64, faliu, enquanto outros grupos de mídia, os que apoiaram o regime, se deram bem.

Quando o regime militar decidiu criar novas redes de TV no Brasil, o grupo Jornal do Brasil, que tinha um jornalismo combativo, se candidatou.

Mas alguém não deixou.

Ganharam o Silvio Santos e o Bloch, cujas empresas mal ou bem estão aí até hoje (a TV Manchete, do Bloch, virou Rede TV, a do Pânico).

O JB agora é um site na internet.

Com a TV, você alavanca outros negócios. No bom e no mau sentido.

A Globo fez o jornal O Globo crescer com anúncios na programação de sábado, que promoviam a edição de domingo de O Globo.

Assim começou a morrer o Jornal do Brasil.

Hoje chamam de sinergia, mas naquele tempo era ‘uma mão lava a outra’.

Meu ponto é que a tremenda concentração no controle dos meios de comunicação e a tremenda concentração das verbas publicitárias no Brasil, uma das maiores do mundo, não é por acaso.

É fruto de uma relação simbiótica entre poder e mídia.

E poucos tem interesse em se livrar dela.

Hoje o maior anunciante no Brasil é o governo federal. As agencias de publicidade tem um troço chamado BV, bônus de valorização, pelo qual elas recebem incentivo financeiro para manter os anúncios com os grupos de mídia que já são grandes.

É um instrumento para tornar a concentração permanente.

Podemos dizer que na mídia o capitalismo ainda não chegou ao Brasil.

Nenhum de nós tem qualquer chance de competir em igualdade de condições, ainda mais porque políticos são donos de meios de comunicação e os meios de comunicação são donos dos políticos.

Não é por acaso que o Sarney é dono do Maranhão e dono da mídia do Maranhão.

Se forem votar no Congresso uma lei que afete seus negócios, o Sarney vai votar em defesa de seus negócios ou em defesa do interesse público?

Capitania hereditária, versão do século 21.

É por isso que não temos leis sobre propriedade cruzada, por exemplo.

(Adendo: lei que proíbe que o dono de uma emissora de TV tenha também jornais ou emissoras de rádio no mesmo mercado, o que dá a ele vantagens sobre os concorrentes)

No Sul, o dono da rede de TV é dono de emissoras de rádio e dono de jornais.

Portanto, é dono dos políticos que, em tese, seriam eleitos para lutar, por exemplo, contra a propriedade cruzada.

Os políticos que trabalham contra a propriedade cruzada são reféns da propriedade cruzada.

Quem atacar a propriedade cruzada é demonizado na mídia pelos beneficiários dela.

A defesa deste modelo ‘perfeito’ é tão grande que quando você mostra que a liberdade de imprensa no Brasil é exercida por poucos é acusado de ser ’sujo’.

Ou de ser contra a liberdade de imprensa.

Fazem uma confusão deliberada entre a liberdade dos empresários, que é de poucos, e a liberdade de expressão, que deveria ser de todos, mas não é.

De maneira que, quando vocês querem falar em ‘ecologia das novas mídias’, um termo da moda, eu diria que neste ambiente que eu acabei de descrever os peixes pequenos nunca vão crescer.

Twitter, Facebook, redes sociais?

O impacto de tudo isso é relativamente pequeno e não há nada que impeça os grandes grupos de mídia de disputarem esses espaços com todos nós.

Quem terá mais “likes” no Facebook, uma emissora de TV que é vista por milhões ou eu?

Quem terá mais seguidores no Twitter, a Patrícia Poeta, que aparece na Globo, ou o Leandro Fortes?

Não existem “novas mídias” no Brasil.

É a velha mídia que trocou de roupa.

PS do Viomundo: Durante o debate, um dos participantes definiu a “ecologia das novas mídias” como as 300 pessoas que ganham dinheiro como ‘agregadas’ de um portal. É o mesmo princípio que fez o Huffington Post bombar, ou seja, juntar blogueiros de todos os Estados Unidos que ganhavam algum para transferir tráfego para o portal — e receber algum (tráfego e dinheiro) de volta. Ou seja, os blogueiros ralam desesperadamente produzindo conteúdo para o portal, que fatura sobre o trabalho deles e devolve algum. Sem qualquer compromisso ou benefício trabalhista. Quem ganhou dinheiro mesmo com este ‘modelo de negócios’ foi a Ariana Huffington. Eu diria que é o modelo Casa Grande e Senzala das novas mídias. O blogueiro ganha algum, desde que se conforme com a senzala.

 

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Publicado por em 13 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Ponte Preta e Guarani querem (e precisam) “acordar” na Série B

Hoje temos rodada da Série B. Guarani e Ponte Preta entram em campo para salvarem suas próprias peles e alcançarem suas metas na competição. A Macaca passa por instante de irregularidade, mas o torcedor deveria vislumbrar que mesmo nesta fase o time consegue somar pontos, algo precioso em um campeonato tão equilibrado como a segunda divisão.

Precisa colocar os nervos no lugar para entrar em campo e derrotar o São Paulo. Agora, algo chama atenção: percebam como a escalação da alvinegra nunca mais foi estável após a chegada do meia Renato Cajá. Todo jogo uma peça aqui ou outra ali é acomadada para encaixar o atleta. Competente e estudioso, o técnico Gilson Kleina parece um confuso na hora de acomodar os craques da Macaca. Deveria pensar, definir uma estratégia e banca-la. Custe o que custar.

O Guarani, por sua vez, entrará na vencer o Boa Esporte. Luta desesperadamente contra o rebaixamento, um mal que poderia ser evitado. Alias, o Guarani com pouco mais de sabedoria poderia ter escapado da Série B. Explico: no ano passado, o time foi comandado por Vagner Mancini e colheu a nona colocação no turno inicial. No segundo turno, caiu vertiginosamente de produção. Mesmo após seguidas derrotas, o cargo de Mancini nunca foi contestado. Por natureza, sou contra a troca de técnico. Mas em algumas ocasiões é necessária, ainda mais quando percebe-se que o treinador não consegue extrair mais nada. Era o caso de Mancini no ano passado.

Neste ano, o filme parecia querer se repetir no Ceará. Fez bom primeiro turno e caiu no segundo. Mas o presidente Evandro Leitão não passou vontade e demitiu Vagner Mancini. Há garantia de que dará resultado a troca? Lógico que não. No entanto, o torcedor pelo menos alimenta esperança de reviravolta no coração do torcedor. No ano passado, até isso foi tirado do torcedor bugrino. Que não suportará outro rebaixamento. Mas até quando o presidente Leonel Martins de Oliveira suportará a situação? Um pouco da ousadia do mandará do Vovô não faria mal ao dirigente.

 
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Publicado por em 13 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Miss Universo ainda faz sucesso. Dá para acreditar?

É incrivel como o Brasil é o páis dos contrastes. Ao mesmo tempo que busca modernidade em diversas áreas, cultua tradições que ao mesmo tempo que parecem antiquadas resistem ao tempo. Pegue como exemplo os concursos de misses. Em conjuntura normal, seria prato cheio para desagradar as feministas e para uma classe que luta por direitos iguais. Pense bem: é apenas e estritamente um concurso de beleza.

Não há perguntas mirabolantes. Existe sim, a determinação de verificar quem fica melhor no traje de banho, com roupa de gala e depois aferir a capacidade de responder perguntas simplórias, quase filosóficas. Pois bem, esse símbolo para alguns de um conservadorismo atroz cravou 10 pontos de audiência no Brasil. Cravou o segundo lugar e até hoje é transmitido ao vivo pela NBC, uma das quatro principais emissoras de televisão aberta do mundo.

Pergunta que fica: nós esquerdistas somos implicantes e chatos ou o mundo gosta do trivial? Ah, não custa lembrar: apesar de tudo, há de se registrar que uma negra, de um país africano e pobre tenha vencido o concurso. Mas no fundo, é só isso que dá para registrar.

 
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Publicado por em 13 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Dilma muda o jogo na televisão por assinatura. Para melhor…

A presidenta Dilma Roussef sancionou nesta segunda-feira o projeto de lei que abre o mercado de TV a cabo para as empresas de telecomunicações. Em termos práticos, o que muda é que futuramente o seu cabo de telefonia pode ser usado para transmitir pacotes de televisão. Se tudo der certo com preços acessíveis e serviço de qualidade.

Mas o “Pulo do Gato” está em dado que passou desapercebido: a obrigatoriedade de transmissão de três horas semanais de conteúdo brasileiro nos canais. Mais.: de cada três canais a serem vendidos nos pacotes, um terá que ser genuinamente brasileiro. Fantástico.

Em primeiro lugar, a lei forçará o fomento das produtoras independentes, o que exigirá a geração de empregos e o espaço ideal para a criatividade. Em segundo lugar, quebra-se de certa forma o monopólio de conteúdo da Rede Globo. Para bem ou mal, a emissora líder espalhou um padrão de produção que parece impossível de quebrar.

Este novo cenário poderá criar daqui alguns anos novos programas, profissionais e produtos que podem oferecer uma diversificação técnica e editorial que hoje inexistem na televisão brasileira. Ainda falta muito para a democratização dos meios de comunicação, mas com essa lei Dilma marcou um golaço.

 

 
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Publicado por em 13 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Querem colocar Dilma em um casulo…

A esquerda brasileira vive um dilema. Quer manter o poder de influencia, possuir o governo federal para operar transformações, mas quer colocar lenha na fogueira sem medir as consequência. Digo isso porque a presidente Dilma Roussef concedeu entrevista a jornalista Patricia Poeta na edição deste domingo do Fantástico. Um papo água com açúcar, mas com jeito de Caras do que algo propriamente jornalístico. Mesmo de modo delicado, houve menção a temas delicados, como a troca  nos  ministérios, relacionamento com a base aliada, diminuição da taxa de juros e feitos já realizados em oito meses de governo.

Ao passear no Twitter e no Facebook, percebi como muitos colocaram-se contra a mandatária da nação ter se submetido aquela sabatina. Bem, lamento informar que minha opinião não bate com a maioria esquerdista. Se analisarmos friamente, ninguém vai se colocar contra alguns conceitos claros: a Rede Globo exerce o monopólio, sempre se relacionou com a direita e tem responsabilidade por boa parte do clima sufocante que impede a democratização dos meios de comunicação. Por outro, não podemos ignorar, que mesmo contra a nossa vontade, a Rede Globo é a campeã absoluta de audiências. Seus telejornais e programas de entretenimento são assistidos por milhares de pessoas. Lamentavelmente tenho que dizer que uma entrevista de Dilma a um jornal de orientação de esquerda demoraria meses para conseguir a repercussão. E a presidenta necessita que suas orientações tenham a repercussão necessária para atingir os ouvidos e corações das pessoas que avaliam o seu governo e que, no final das contas, vai decidir se ela continuará como inquilina do Palácio do Planalto em 2014.

Alguns poderão dizer que Lula não faria isso. Com certeza não. Por um único motivo: o ex-presidente fazia pronunciamentos quase todos os dias para mandar os seus recados e transmitir as suas ideias. E os veículos de comunicação transmitiam e repercutiam.

Dilma é diferente. Reservada, econômica nas palavras, não usa o palanque para reforçar suas realizações. Diante disso, usar um programa de entretenimento com 20 pontos de audiência não é luxo. É necessidade.

 
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Publicado por em 12 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Edir Macedo x Globo x Veja: a guerra está declarada!

Ao zapear a televisão no domingo à noite, deparei-me com uma reportagem extensa do “Domingo Espetacular” da Rede Record, falando cobras e lagartos sobre a Editora Abril, responsável pela Revista Veja. A meta era contestar uma nota que desejava provar a crise financeira da emissora e a saída de alguns executivos. A reação foi letal, com Edir Macedo, em carne e osso, em entrevista ao repórter Raul Dias Filho. Macedo encaminhou suas justificativas e tentou colocar a revista dos Civita em saia justa.

Bem, da Revista Veja nem precisamos falar muito. Anteriormente, na década de 1980, era a publicação ideal para atender a uma classe média sedenta por noticias e tendências. Hoje, virou porta-voz da direita radical e contrário do governo do PT.

Pois é, mas penso que o foco deveria ser outro para Macedo: diante de tantos investimentos e até com bons programas, porque a Rede Record não repercute? Pare e pense: Estadão, Folha, Rede Globo e a própria revista Veja formaram nos últimos anos um cinturão que repercute as matérias produzidas por eles e tentam transmitir a população de que os outros veículos de comunicação não existem.

Claro, isso explica boa parte do bloqueio sofrido pela Record. Mas existe outro: a origem de Edir Macedo. Ao contrário dos outros barões da mídia, Macedo teve sua carreira forjada no ambiente eclesiástico. Por mais que tente, sempre será considerado um clandestino. Seria um intruso em um clube que considera um acinte utilizarem uma televisão como braço de uma igreja evangélica. Ele tentou resolver o problema ao tentar assumir-se como empresário. Ganhou o contra-ataque: os pastores de outras denominações consideram que seu ministério desvirtuou. Se ficar o bicho pega…Se ficar…

Em resumo: Macedo, se quiser transformar a Rede Record, em emissora relevante terá que lidar com o preconceito e tomar algumas medidas que mostrem que não há meio discurso em querer deixar a Record como líder televisiva no pais. Uma sugestão: que tal retirar os programas da Universal da madrugada e sobreviver apenas da verba publicitária que não é desprezível. Seria um gesto de boa vontade. E produziria mais credibilidade.

 
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Publicado por em 12 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

Brasileirão: o talento é o segredo do sucesso!

Aconteceu o que todo mundo previa na rodada do Campeonato Brasileiro: os ponteiros perderam e ajudaram o Corinthians a manter a liderança por mais uma rodada. É lógico, o Fluminense deve dar pulos de alegrias pela retomada do sonho de uma vaga na Libertadores enquanto que o Flamengo passará a semana na busca de livrar-se da pecha de “cavalo paraguaio”.

Mas não há como negar que o equilíbrio deste campeonato assusta. E não há explicação plausível. Na tentativa de esclarecer os fatos, este blogueiro fez um levantamento dos setores de criação das equipes que disputarem os jogos no domingo.. Se não encontra-se uma resposta definitiva, pelo menos apura-se pistas que levará a uma decisão final.

Algumas conclusões. A primeira é que, graças a Deus, o esquema 3-5-2 saiu de moda e prevalece o tradicional 4-4-2 com dois meias e dois volantes de contenção. Teria tudo para ser um campeonato de qualidade. Não é, especialmente porque falta qualidade. Mesmo quando tenta-se uma inovação.

Na derrota por 3 a 0 diante do Internacional, Luis Felipe Scolari armou o time no 4-3-3 e colocou no meio-campo Márcio Araújo, Marcos Assunção e Tinga. Como ganhar uma partida com essa situação?

Ralf, Paulinho e Alex formaram o trio de meio-campo do Timão diante do Fluminense. Mas ali o que faltou não foi talento. E sim, uma maneira de sair da má fase.

Já o Coritiba para aplicar a goleada de 5 a 0 sobre o Botafogo escalou um meio-campo com Leandro Donizete na contenção, Léo Gago com um pouco mais de liberdade e Rafinha e Tcheco para armarem as jogadas. Resumo da ópera: independente do esquema tático, colocar talento sempre reserva. Pena que no brasileirão o artigo fica em falta durante algumas rodadas.

 
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Publicado por em 12 de setembro de 2011 em Uncategorized