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Campinas: que João Saldanha sirva de inspiração ao novo titular da secretaria de Cultura

03 set

Em meados da década de 1960, a Seleção Brasileira de Futebol vivia uma crise de credibilidade. O time não empolgava e todos nutriam o temor de ficar fora de uma Copa do Mundo. Presidente da então Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange deu carta branca para uma jogada ousada: convidar João Saldanha, então jornalista e um dos maiores críticos do escrete canarinho, para ser seu comandante. A imprensa paulista reclamou, mas Saldanha promoveu uma revolução. Pegou um punhado de jogadores desacreditados e apelidou de “Feras do Saldanha”. Não existia um dia que suas entrevistas eram permeadas pelo otimismo e também por buscar algo novo. Deu certo: o Brasil ficou com nova concepção e ganhou as eliminatórias de cabo a rabo. E de quebra, abriu caminho para Zagallo formar o maior time da história do nosso futebol. Um jornalista provou que poderia ser pedra e uma vidraça resistente e vitrine para bons modos.

Incrivel, mas lembrei desta história ao tomar conhecimento das nomeações dos jornalistas Bruno Ribeiro e Paulo Ribeiro para a Secretaria Municipal de Cultural. São duas pessoas que vivem o mundo cultural há anos e possuem subsídios suficientes para modificar o quadro. Teceram criticas, fizeram reportagens por seus veículos e estiveram do outro lado do balcão. Agora, assumem a pasta em um momento marcado por falta de credibilidade por parte do poder público. Mas de algo tenho certeza: a dupla tem na cabeça todos os erros e acertos dos últimos secretários que ocuparam a pasta. Já é um grande passo.

Eles possuem ideias, projetos e mentes arejadas para mudar um setor cheio de vícios, nuances e costumes. Algo que de certa forma, João Saldanha encarou naquele ano de 1969. Assim como o comentarista esportivo, a dupla campineira entra para a maquina administrativa sem os vícios impregnados e criticados por 90% dos analistas.  Bruno e Paulo podem aproveitar estes meses para incutir costumes novos, comprar brigas, colocar projetos em frente e fazer com que a Secretária Municipal de Cultural seja apenas coadjuvante e que os atores principais sejam as pessoas que realmente interessam: os abnegados que fazem cultura em Campinas. Pense: Saldanha também promoveu mudanças, na época foi atacado e só foi colher os frutos anos depois. Hoje, todos falam  de Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho…as estrelas brilharam porque o comandante soube esconder-se na hora certa.

Disse no Twitter e repito neste meu humilde espaço: não conheço e nunca troquei uma palavra sequer com qualquer um dos nomeados pelo prefeito Demétrio Vilagra. Mas espero sinceramente que eles façam revolução do bem no setor. Para que, no futuro, uma parte da população campineira deixe de associar atividade cultural com espaço ou praça de alimentação de Shopping Center, local que abriga, por exemplo, os cinemas da cidade. Boa sorte à dupla!

 Obs: para quem considerar descabida a relação com João Saldanha, leia a sua biografia escrita por André Iki Siqueira. Ele não foi apenas um simples comentarista esportivo. Teve atuação politica e cultural intensa no Rio de Janeiro nas décadas de 1960 e 1970. Era um cidadão do mundo. Um gênio da raça. Que serve de inspiração até hoje.

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Publicado por em 3 de setembro de 2011 em Uncategorized

 

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