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Arquivo mensal: outubro 2011

O jornalismo esportivo ideal sonhado por Luiz Mendes fica cada vez mais longe…

Apesar de campineiro de nascimento, tenho adoração pelo povo carioca e a presença do futebol carioca. Ao saber nesta quinta-feira da morte de Luiz Mendes, comentarista da Rádio Globo, fiz uma viagem no tempo, especificamente para o inicio da década de 1990. Em 1991, tinha acabado de entrar na faculdade de jornalismo e minha paixão por rádio estava no auge. Meu pai tinha comprado um rádio de cor cinza e de alta potencia. Um dia, no período da noite, fuçando daqui e dali, dei com o AM 1220. Era a rádio Globo do Rio de Janeiro. Na época, não existia a transmissão em rede e pela primeira vez tive contato com Gilson Ricardo na apresentação e com um certo Luiz Mendes nos comentários.

Era uma aula diária de jornalismo esportivo. Incrivel, mas mesmo na Vênus Platinada, o gaúcho de nascimento e carioca de adoção conseguia ser incisivo, delicado, fino e dono de um vocabulário impar ao apontar as mazelas do futebol carioca. Era botafoguense, mas tinha isença para analisar todas as equipes e nunca, jamais, deixava a paixão ultrapassar a razão. Foi o artificie da mesa redonda Facit, cujo o critério básico era de que as pessoas fossem inteligentes: João Saldanha, Armando Nogueira, José Maria Scassa…uma academia brasileira da crônica esportiva.

O que lamento, além da partida de Luiz Mendes é que seus conceitos aos poucos são esquecidos. O jornalismo esportivo brasileiro está em crise e parecer querer afundar-se cada vez mais. Pena, Luiz Mendes não está mais aqui para evitar a tragédia.

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Publicado por em 28 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Kaká, o símbolo dos novos tempos da Seleção Brasileira

Kaká está de volta à Seleção. É a grande aposta de Mano Menezes para assegurar o seu emprego e faturar a Copa do Mundo de 2014. Ao olhar a convocação em letras miúdas, penso que uma conclusão deve ser tirada e muito mais preocupante: o final dos maestros na condução do escrete canarinho. Ou, na pior das hipóteses, dos jogadores técnicos e habilidosos. Por que não custa lembrar: Kaká e espetacular, mas não é inventivo. Mistura força com técnica e um bom nível de habilidade. Mas tem visão de jogo com longo alcance.

Não é um Didi que na Copa de 1958 comandava as ações do meio-campo, função desempenhada quatro anos depois. Em 1970, não precisamos dizer: Gerson, Rivelino, Pelé…o talento sobrava! Já em 1994, apesar do meio-campo limitado por Carlos Alberto Parreira, Romário era a reserva de habilidade e talento. Como esquecer o seu passe para Bebeto no gol diante dos Estados Unidos? Talento em estado bruto. Na conquista da Copa da África em 2002, Kleberson era o atleta com força enquanto que Gilberto Silva tinha a capacidade de fazer a marcação. Mas Rivaldo, meia atacante de oficio, encarregou-se de buscar o jogo e fazer gols e lançamentos decisivos.

A mensagem que fica é a seguinte: o Brasil pode vencer a Copa do Mundo. Porém, será em estilo diferente. Seja quem for o técnico, deverá colocar o posicionamento tático como prioridade e enfatizar as jogadas ensaiadas para ganhar de seleções que, hoje são mais técnicas e habilidosas, como Espanha e Alemanha. Ao Brasil, vai restar no jogo coletivo e na força do conjunto, símbolos representados em Kaká.

 
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Publicado por em 28 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Quero uma imprensa que atire para todos os lados…

Engraçado como os fatos se desenrolam de modo diferente no Brasil. Existem instituições que parecem santas no Brasil. Ninguém pode criticar, refletir ou apontar seus erros. Parece que são acometidos de uma proteção involuntária. Falo isso para analisar o comportamento da imprensa. Vamos ser muito claros senão alguém pode pedir para desenhar. Qualquer pessoa em sã consciência deseja um governo transparente e limpo. Não sou diferente. Quero que o dinheiro público seja gerido de modo competente e que seja depositado em programas que atendam o maior número de pessoas.

Desde o começo do governo Dilma Roussef, a imprensa assumiu o papel de paladina. Denunciou, pressionou e tirou ministros. Detalhe: todos ainda objeto de investigação.

Agora, coloco a dúvida no ar: nunca houve erros? Será que não será cometida nenhuma injustiça? Não corremos o risco de verificar um novo caso como o do ministro Alceni Guerra, do governo Collor, que depois provou-se que as acusações eram infundadas? Repito: se todos forem considerados culpados, que sejam punidos.

Um fato, no entanto, deve ser colocado: nunca, em tempo algum, a imprensa brasileira teve a mesma virulência no governo Fernando Henrique Cardoso. Isso não é chute ou opinião. É fato! Quer uma prova? Dê um pulo no arquivo da Revista Veja e encontre uma capa de 1995 a 2002 que trate o famoso FHC com a mesma virulência que tratava Lula no exercício do poder.

E por que isso acontece? Simples: por em todo o estado democrático, as pessoas tem interesses, assim como as empresas de comunicação. Ultimamente, o que colunistas políticos defendem de modo subliminar é o seguinte: todos do campo aliado do PT não prestam. No PSDB, DEM e outros encontra-se a salvação. Será mesmo? A imprensa não pode deixar de cumprir o seu papel critico. Se Dilma, Lula, Orlando Silva, José Dirceu e outros forem pegos com a boca na botija que sejam punidos. Mas tal procedimento precisa ser adotado com a oposição. Pergunta ao nobre e raro internauta: José Serra, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e outros menos cotados recebem o mesmo tratamento virulento destinado aos petistas aos ocupantes do campo progressista? Acompanhe o noticiário com atenção e tire suas próprias conclusões. A minha é única: que todos sejam punidos. Por enquanto, só um lado está condenado.

 
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Publicado por em 27 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Raul Lázaro merece respeito e dignidade. Assim como o derbi campineiro

Nunca escondi de ninguém o que penso a respeito da maneira como dirigentes e torcedores encaram o derbi campineiro. Infelizmente, o provincianismo misturado com um jeito adolescente inconsequente só produz fatos graves. E que as vezes afeta a vida das pessoas. É o caso do locutor Raul Lazaro, que após ter proferido palavras infelizes no derbi do dia 16 de julho na direção da torcida do Guarani perdeu o emprego no clube campineiro e agora vive cercado de ameaças. Pior: tem sustento ameaçado.

Não vou ficar aqui perdendo tempo ao dizer coisas obvias. Se algum torcedor bugrino estiver na frente de atitudes tão lamentáveis, a Justiça precisa dar conta dele. Precisa ser punido exemplarmente. Não é caso esportivo e sim de Polícia. Raul Lazaro, por sua vez, já foi punido pelo STJD, cumpre sua punição. Fora da esfera esportiva, é um cidadão como outro qualquer e que necessita de emprego para sobreviver e dar um sustento digno aos seus filhos. O fato dele ser pontepretano não lhe transforma em um pária da sociedade. Assim como qualquer bugrino não pode ser alvo de atos de violência pela camisa verde que veste na cidade.

Por outro lado, acho que o clima de violência física e verbal entre as duas torcidas atingiu um estágio de exaustão. Dependendo do local na cidade, torcedores de Ponte Preta e Guarani transformam-se em agentes secretos. Vivem às escondidas e sem se identificar.

O único local que todos, pontepretanos e bugrinos, são corajosos é na internet. Aqui vale atacar, humilhar, ameaçar, xingar, dizer que vai agredir…como se o Brasil fosse terra de ninguém.

Raul Lázaro ainda teve a oportunidade de pedir socorro. E merece todo nosso apoio. Mas e se um bugrino ou um pontepretano morrerem por causa de uma simples preferencia clubistica? Não está na hora dos dois lados baixarem a guarda? E mais: não está na hora das torcidas organizadas dos dois clubes provarem de uma vez que podem contar com associados controlados e com respeito ao lado adversário. Do jeito que a coisa vai, os 100 anos do clássicos, no Paulistão do ano que vem, serão comemorados com portões fechados. O que seria triste.

 
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Publicado por em 26 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Orlando Silva vai sair. Ministério dos Esportes continuará na pauta?

São 15h11 e o UOL anuncia que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, deverá entregar a carta de demissão à presidente Dilma Roussef às 17h30. Não há como negar que a avalanche de denúncias (a maioria ainda não comprovadas com provas concretas, diga-se) e a abertura de inquérito pelo Supremo Tribunal Federal se constituíram na gota d´agua. Lógico, os colunistas políticos ficarão com sorriso nos lábios e a oposição ficará toda incentivada a produzir nova denúncia para debelar o vírus da corrupção no governo. Como se na gestão de Fernando Henrique Cardoso só existissem santos. A diferença é que naquela gestão, os jornalistas políticos que cobrem Brasilia ou não viam nada ou tinham prioridades. Exceção: Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, que denunciou a compra de votos da reeleição no Congresso Nacional.

Bem, a pergunta que fica: e depois da festa, como será  ressaca? Sim, porque após a saída de Orlando Silva e a entrada do novo titular, a imprensa brasileira continuará com os mesmos erros. A saber: tratar a pasta como mero acessório, sem importar no potencial de alcance educacional que seria colhido com programas bem feitos. O Esporte continuará sendo assunto dos cadernos esportivos, ninguém vai se importar com as decisões de gabinete ou as resoluções que saírem dali.

Então porque dessa vez foi prioridade? Simples: independente das denúncias, sejam elas verdadeiras ou não, qualquer ministro que puder cair para desestabilizar o governo Dilma, será de muito bom grado. Porque a verdade é uma só: uma parte dos formadores de opinião não engoliram as três derrotas conduzidas por um operário. Tem que vencer. Nem que seja no tapetão. Justiça seja: o PT cometeu o mesmo erro ao pedir o impedimento de FHC no seu primeiro mandato. Não era o governo dos meus sonhos, mas era a vontade do povo. Ela tem que ser respeitada. Nem que seja contra meus ideais.

Acho que algo básico precisa ser ensinado: se não fizer um bom governo, a troca já está marcada e será em outubro de 2014. Fora disso, é colocar o carro na frente dos bois.

Em resumo: no Brasil, especialmente para quem é do campo do esquerda, a prioridade não é fazer um bom governo, e sim terminá-lo. Dura e triste realidade.

 
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Publicado por em 26 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Dinheiro na mão do Corinthians é vendaval

O Corinthians anuncia seu interesse em Tevez. Diz que topa pagar R$ 44 milhões por um jogador de 29 anos, problemático, que saiu brigados em todos os clubes pelos quais passou e ainda não há garantia de retorno no gramado, por causa da sua baixa produtividade técnica. Alguns podem imaginar que a atitude do presidente Andrez Sanchez é pura extravagância ou puro lance eleitoral para beneficiar Mário Gobbi. Ou ainda uma maneira de encontrar uma forma de atrair públicos aos jogos do alvinegro, que já demonstra uma média de público acima de 27 mil pagantes no Campeonato Brasileiro.

Nem um fato, nem outro. O Corinthians apenas é acometido do mal que assola os clubes brasileiros, cercados por um sistema de gestão viciado e cheio de decisões equivocadas.

Vamos aos fatos. A negociação com a Rede Globo gerou uma nova cota de aproximadamente R$ 110 milhões para 2012, uma bolada que será também depositada nos cofres do Flamengo. Com tanto dinheiro à disposição, esta seria a oportunidade de criar uma estrutura para construir uma hegemonia corintiana e flamenguista por anos e anos. Como? Em primeiro lugar, fazer um time competititivo, mas aproveitar a bolada para quitar boa parte das dividas do clube. Na sequência, reforçar a infra-estrutura. Sei que os dois clubes populares detém centros de treinamentos que estão finalizados (como o Coringão) ou ainda em construção, como é o caso do Ninho do Urubu. Mas além disso, o dinheiro poderia ser direcionado ao fortalecimento das categorias de base e fincar a meta de buscar novos talentos. Custe o que custar. O Santos adota a fórmula e bem ou mal, já pegou pérolas como Robinho, Paulo Henrique Ganso e Neymar. Para completar o pacote, o dinheiro poderia ser utilizado na profissionalização total do futebol, inclusive com a contratação de executivos e pessoas gabaritadas para transformar o Corinthians em uma marca de alcance mundial. Luis Paulo Rosemberg é competente, mas é andorinha única no verão do futebol brasileiro.

Do jeito que está, o que poderá acontecer? Simples: Flamengo e Corinthians vão gastar os tubos com contratações milionários e se o esquema fracassar, será um dinheiro sem volta. Mesmo se vingar, todos vão lamentar que a alegria será momentânea e os dividendos serão passageiros. Quem viver verá.

 
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Publicado por em 26 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

Kleber, Valdivia e Dagoberto: os craques refrigerecos (ou tubaína, você escolhe)

Quem nunca ficou sem dinheiro para comprar um refrigerante de marca favorita e deparou-se na gondola do supermercado com produtos que parecem até na embalagem o produto original e famoso, mas ao abrir você verifica que o gosto no inicio é até aceitável, mas no final o saldo que fica é de puro água doce sem originalidade? Na minha infância, batizei esses produtos de refrigerecos ou popularmente conhecidos como tubaína. Pois bem, o futebol brasileiro está cheio deles. As características são simples: mostram pinta de craque, parecem habilidosos, andam cheio de marra, mas ao olhar o currículo falta o essencial: títulos e conquistas relevantes.

O futebol paulista está cheio deles. Quero pegar três como exemplos: Dagoberto, Kleber e Valdivia.

O primeiro tem histórico interessante. Surgiu no Atlético Paranaense no inicio do século e parecia com futuro promissor. Algumas contusões e muitas brigas depois, desembarcou no São Paulo. Com Muricy Ramalho, nunca se firmou e sempre andava com altos e baixos. Foi tricampeão brasileiro, mas não teve participação decisiva em nenhum dos títulos. Após a saída de Muricy, reclamou e esperneou que não era tratado com carinho pela direção do clube. Bradou por aumento salarial e agora espera o final do contrato para bater asas, provavelmente rumo ao Internacional (RS). Pergunto: que jogo relevante, valendo taça, Dagoberto foi protagonista? Sugestão: reflita no sofá. Vai demorar.

Kleber é outro craque refrigereco. Tem apelido de Gladiador, joga para a torcida, peita Luis Felipe Scolari e agora fala que deseja sentir outros ares. Grêmio e Vasco já se apresentaram como candidatos. Deixo claro que gosto da valentia e raça de Kleber. É tipo raro no futebol. Mas pergunto de novo: que titulo conquistado pelo Palmeiras ou Cruzeiro teve sua participação direta? Quando os cronistas esportivos e torcedores elegeram Kleber como craque do ano?

O mesmo racicionio aplica-se a Valdivia. Não perder tempo em descrever suas firulas e fintas. Para concluir, só posso dizer algo, com todo o respeito que merece esses três jogadores: se esses três personagens jogassem tudo que imaginam possuir dentro de si, a Seleção Brasileira teria dois gênios da bola e a Seleção Chilena já teria saído da periferia do futebol.

 
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Publicado por em 26 de outubro de 2011 em Uncategorized