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CQC, Rafinha Bastos e o virus da vaidade…

04 out

Os programas de humor se constituem em atrações primordiais na televisão brasileira. Chico Anisio, Jô Soares, Agildo Ribeiro e outros menos cotados fizeram história nas décadas de 1970 e 1980. Posteriormente, a turma do Casseta e Planeta fincou sua marca ao apostar em uma formula cujo os ingredientes eram de esquetes misturados com jornalismo ficcional. O Pânico, comandado por Emilio Surita, radicalizou e cravou a desconstrução das celebridades. Com frases de efeito e humilhação suspeitas, deixavam astros a olho nu.

Quando surgiu, há três anos, o CQC parecia ser a renovação do gênero. Praticava um humor fino, requintado, critico e com dose certa de jornalismo. Mais: parecia não existir qualquer astro em evidência. Mesmo o âncora Marcelo Tas exibia obsessão em praticar o jogo coletivo em detrimento do brilho individual.

Infelizmente, no entanto, somos humanos. E falhos. Carentes de atenção e expostos a surtos de vaidade. O CQC não fugiu a regra. Nos últimos meses, o que verificamos é a destruição daquele espirito libertário e coletivo existente no programa. Senão vejamos: Danilo Gentilli ganha programa solo e aos poucos retira-se do programa; Marco Luque tentou uma incursão em “O Formigueiro”, que revelou-se um equivoco. .

Para completar, temos que citar Rafinha Bastos. Não há como negar: de todos, é o mais astuto, inteligente e dono do humor mais ácido. Tem boas ideias. Teria condições de ser ponta de lança de qualquer programa de humor na televisão. Claro, se a sua imagem não estivesse manchada ou com sua credibilidade ameaçada. Não, nem falo da piada infeliz feita com Wanessa Camargo. Errar é de qualquer profissão. Ele é comediante e ele vive de piadas. Algumas são genias. Outras são um desastre. Faz parte do show.

O problema é que suas aparições são carregadas de uma falta de humildade absurda. Você assiste a uma entrevista dele com Antonio Abujamra ou sua participação no CQC ou mesmo em “A Liga” e fica com a impressão de deparar-se com alguém acima do bem ou do mal. Alguém que não admite erros. Pior: que usa sua inteligência e astucia sem medir as consequências.

Por incrível que apareça, gosto do trabalho de Rafinha Bastos. Mas o trabalho dele seria perfeito se existissem também expressões como “pisei na bola”, “desculpe”, “errei” ou “não queria ofender ninguém”. Seria bom para ele e para a cultura brasileira. Que precisa de talentos como ele.

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Publicado por em 4 de outubro de 2011 em Uncategorized

 

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