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O evangelho segmentado arrebenta o cristianismo?

12 nov

É função do jornalismo detectar tendências e comportamentos. Chama atenção na edição deste sábado da Folha de São Paulo uma reportagem com a pastora Sarah Sheeva, filha da cantora Baby do Brasil e de Pepeu Gomes e que comanda uma cruzada no país chamado “Culto das Princesas”. O discurso é simples, claro e direto: a mulher deve esperar o casamento para fazer sexo e de preferência aguardar o tempo que for preciso para beijar na boca. A própria pastora, em um misto de testemunhal e auto suficiente afirma que está há 10 anos sem sexo e nove sem beijar na boca. A Folha colocou um vídeo com depoimentos de meninas casadas que comprovam a eficácia do método.

Alguns pontos acendem o sinal de alerta. Talvez o principal seja o fato da pastora vender isso como algo inédito. Quem foi formado em igreja evangélica sabe que o conceito não novidade nenhuma. Talvez o que ela fez foi embalar com um novo discurso e aproveitou o fato das igrejas brasileiras passarem por uma crise de valores, em que seus frequentadores não tem compromisso com conceito nenhum. Vide a bela vida conduzida por Neymar.

No entanto, o que me deixa mais estarrecido é o culto ser fechado apenas para mulheres. Não vou entrar na justificativa da pastora que afirma lutar contra a “cachorrice” reinante entre as mulheres. Pessoas vulgares ou com sensualidade a flor da pele existem desde que o mundo é mundo. Cabe a nós, pobres mortais, saber fazer o discernimento daquilo que é bom ou ruim. Se eu preciso de uma pastora para dizer aquilo que devo ou não usar como parâmetro da minha vida, é porque, no mínimo, algo vai muito mal.

Além disso, fico incomodado com essa ânsia das igrejas evangélicas realizarem trabalhos fatiados. Detalhe: não falo de trabalho com crianças, adolescentes e jovens. Para essas pessoas o tratamento precisa ser diferenciado, porque são fases da vida em que o caráter da pessoa é moldado. Não dá para vacilar.

 Mas culto para empresário, homem, mulher, idosos ou outras castas apenas colaboram para o isolacionismo dentro das igrejas.

Mas pastora Sarah Sheeva não pode ser condenada. Se ela ensina errado, é porque o professor terreno infelizmente pegou a lição errada. Tenho certeza de que Deus quer pessoas conscientes, maduras, cidadãs e focadas em fazer o bem, independente da camada social destinada. Sem precisar fazer culto delivery. Um dia a gente aprende. (A reportagem em vídeo da Folha é bem interessante.Quem quiser, pode conferir aqui)

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Publicado por em 12 de novembro de 2011 em Uncategorized

 

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