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Aborto: hora de conduzir uma discussão madura e sem preconceitos

11 dez

Muito oportuna a iniciativa da presidenta Dilma Roussef de comparecer à Conferência Nacional das Mulheres, marcada para esta semanaem Brasília. Amandatária sabe que estará em campo minado, pois certamente a discriminalização do aborto estaráem pauta. Vamosrecordar: na eleição presidencial do ano passado, no auge da mediocridade do debate, os supostos líderes evangélicos e católicos exigiram (e conseguiram) que a presidente assinasse um termo enfatizando que jamais iria mudar a legislaçãoem vigor. Ouseja, trataremos o aborto como assunto de policia e não de saúde pública.

Sei que é uma luta inglória, mas penso que os componentes da conferência deveriam buscar um outro caminho. Esqueçam Silas Malafaia e outros líderes raivosos e vingativos; ignorem lideranças religiosas que não estão dispostas a conversar. Pegue lideres com influencia e mesmo que eles apresentem resistência tentem incutir na mente deles que ninguém quer liberar a libertinagem ou sacanagem e sim transformar em realidade uma cena simples: que uma mulher que, infelizmente, queira praticar o aborto, seja recebida de maneira digna em hospitais públicos e privados e tenha direito a um tratamento digno condizente com a situação. Se os lideres religiosos não abrem mão da criminalização que pelo menos encontrem outras formas de punição. Exemplo: trabalhos comunitários, obrigatoriedade de freqüentar cursos de saúde da mulher…alternativas não faltam…

Aliás, um pensamento: digamos que exista um tiroteio, um bandido mate três ou quatro pessoas, mas também seja ferido pelos policiais. O que acontece? Em 90% dos casos, ele é encaminhado para o pronto-socorro mais próximo e recebe toda a atenção possível. Depois de curado, é submetido as barras da lei. O Brasil é um dos únicos do mundo que criminaliza o aborto e que na opinião de alguns, a mulher deve ir para a cadeia e não para o hospital. É, é isso que você pensou: a vida de um bandido mais vale do que qualquer mulher no Brasil.

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8 Comentários

Publicado por em 11 de dezembro de 2011 em Uncategorized

 

8 Respostas para “Aborto: hora de conduzir uma discussão madura e sem preconceitos

  1. Cristiane Costa

    13 de dezembro de 2011 at 12:19

    Muito lúcido o seu pensamento, Elias.
    Só tem mais um ponto que devemos nos lembrar : a uma mulher não engravida sozinha. Na maior parte das vezes em que apela pro aborto já foi abandona juntamente com seu filho, pelo namorado ou cônjuge. Quase nunca teve o apoio da família ou mesmo do trabalho em que está para lhe dar condições de sustentar a si mesmo e o seu bebê.
    Como disse a artista Elis Regina na década de 80: ” É uma grande hipocrisia essa sociedade machista falar em aborto, justo ela que abandona a mulher no momento que ela mais precisa”.

    Parabéns pelo texto.

     
  2. Márcia Marques

    15 de dezembro de 2011 at 13:26

    Realmente é uma questão de saúde pública. Porém se esquecem de uma coisa: o aborto tira a vida de alguém que não pode se defender, não pediu pra ser gerado e merece proteção. Deve ser investido na proteção, na contracepção. Camisinha, pílulas e DIU são oferecidos gratuitamente pelo SUS. Além do mais, acredito que, liberando o aborto, corremos o risco de um crescente número de casos de DST/Aids.
    A mulher que pensa em abortar deve ser acolhida sim, mas no intuito de salvar a vida daquela criança e salvar a vida da própria mulher.

     
  3. Moisés Gomes

    16 de dezembro de 2011 at 12:42

    Ok, e a criança que é abortada. Como fica a saúde dela cara-pálida?

     
  4. Moisés Gomes

    16 de dezembro de 2011 at 12:44

    A criança abortada, terá direito a um funeral pelo menos? Já que querem legalizar a morte da coitada, que se faça com tudo que ela tem “direito”, exceto à vida, é óbvio…

     
    • eliasjunior2009

      16 de dezembro de 2011 at 16:00

      Só acho o seguinte Moisés: ninguém quer e gosta de aborto. Nem mesmo a mulher. Qualquer mulher. Eu reafirmo: aborto é questão de saúde pública. Quando for isso for levado em conta, poderemos fazer um diagnóstico preciso do que leva uma mulher a fazer isso. E evitar alguns no futuro. O que não dá é usar discurso religioso e deixar planejamento familiar em segundo plano. só isso

       
      • Moisés Gomes

        16 de dezembro de 2011 at 19:24

        Mas quem aqui falou em religião? Você. E de planejamento familiar?
        Eu estou falando da vida da criança. Concordo que seja assunto de saúde pública. Então, já que se importam tanto com a saúde da mãe, por que não se importam com a saúde da criança que está sendo morta? O que dá o direito a alguém matar outro ser indefeso, e ainda mais quando este alguém é seu filho?
        Nem na natureza encontramos tal atrocidade… E ainda que encontrássemos não se justificaria, pois não somos animais irracionais.

         
      • eliasjunior2009

        17 de dezembro de 2011 at 20:12

        1- Em nenhum momento você viu este blogueiro defender o aborto. Leia o texto e chegará a essa conclusão..
        2- Você, com toda a razão, vê o lado da criança morta. Mas o que leva a mulher a tomar tal atitude. Ou você acha que todas são bandidas e merecem cadeia? Será que um acompanhamento por parte do Estado não evitaria tal atrocidade. Vi que seu endereço chama-se olhar Católico. Logo, é Cristão. E não existe em nenhum lugar da Biblia algum trecho que Jesus desamparou os pecadores. Por pior que eles fossem. É fácil julgar os outros sem ouvir o que leva a pessoa aquela atitude. Se for sem razão, ótimo, ae a gente vê o que faz. Mas do jeito que você, vamos pegar todas as mulher que praticaram aborto e vamos colocar na masmorra. Desculpe, mas isso é tudo, menos uma atitude cristã.
        3- E mais: antes de fazer um post levei em consideração amigas e conhecidas que praticaram aborto. E 99% delas mostram-se arrependidas, culpadas e traumatizadas. E o Estado, deu amparo para que ela supere esse momento? E eu? E você? Só vamos jogar pedra nas mulheres. Isso é Cristianismo. Pense nisso.

         
  5. Moisés Gomes

    19 de dezembro de 2011 at 12:59

    Reposta ao item 1: que bom, então temos a mesma lúcida posição, mas no entanto se omite a não citar as crianças que são assassinadas.
    Resposta ao item 2: assassinato é assassinato, e o que defendo neste caso é o simples uso da constituição e do código penal brasileiro que considera o aborto crime, semelhante e pior que o infanticídio. Por que em vez do Estado “amparar” as mães que abortam, e isso ele já faz, também não faz massivas campanhas preventivas contra o aborto e a favor da adoção? O mais fácil é despenalizar o aborto? Vamos aplicar a mesma lógica a demais crimes: ninguém consegue evitar tantos assaltos, então passemos a despenalizar o assalto. Ninguém consegue conter os assassinatos, então passemos a despenalizar os assassinatos. Concordo que as mães que abortam recebam amparo do Estado, mas você sabe muito bem que por trás da cultura do aborto só há duas posições bem polarizadas: a favor e contra. E os que são a favor o querem de forma livre e total. Não é atitude cristã fechar os olhos a um massacre de inocentes silenciosamente. Não é atitude cristã permitir que algozes (não arrependidos) saiam livres e praticando seus crimes. A principal luta é contra a INDÚSTRIA do aborto que investe bilhões na legalização desta atrocidade.
    Resposta ao item 3: estas mulheres recebem amparo de instituições pró-vida que combatem a prática do aborto exatamente por isso. Quando voltarmos nosso foco para as crianças que estão sendo assassinadas, creio que o aborto seria visto de outra forma pelos aborteiros.
    Sugiro que você procure no Google e assista ao vídeo “grito silencioso”.

     

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