RSS

Arquivo mensal: março 2012

Futebol brasileiro: grandes ou quatrocentões falidos?

Nas suas entrevistas coletivas, os técnicos Gilson Kleina e Oswaldo Alvarez alertam sobre a impossibilidade de Ponte Preta e Guarani lutarem contra o poderio dos grandes clubes. Para eles, a distância econômica é absurda e fica difícil pensar em vôos mais altos no Campeonato Paulista e no Campeonato Brasileiro no segundo semestre.

Respeito a opinião dos treinadores, mas acredito que alguns conceitos não se constituem em verdade absoluta no futebol.

Penso que a distância será abissal e intransponível se os grandes clubes administrassem seus orçamentos de modo competente e realizando contratações bombásticas e com alto grau de retorno.

Isso está longe de acontecer. Se o dinheiro pode comprar a eficiência, como explicar o Corinthians, que torrou dinheiro por seis meses com um jogador do quilate de Adriano ou que conta no elenco com jogadores de boa qualidade  mas que chegaram como apostas como William e Edenilson? Como entender o fato do Santos contar com Neymar e Ganso, mas possuir uma dupla de zaga formada por Durval e Edu Dracena, que estão longe de serem altamente confiáveis?

O que quero dizer é que o futebol brasileiro está cheio de clubes ricos, mas que gastam pessimamente o seu dinheiro. Abre-se espaço aos clubes médios e pequenos, que com orçamento enxuto, mas com muito critério nas contratações podem colher frutos saborosos. A própria Ponte Preta é exemplo deste cenário, pois no ano passado foi a equipe de orçamento mais modesto entre aqueles que conseguiram o acesso à primeira divisão. Na primeira divisão, o Figueirense mostrou que com um time humilde, mas muito bem montado era possível chegar longe. Por muito pouco não beliscou uma vaga para a Copa Libertadores.

Resumo da ópera: possuir dinheiro é ótimo. Saber gastar é uma arte.

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 31 de março de 2012 em Uncategorized

 

Copa do Mundo: palavras ao vento e dinheiro no bolso…

Quando foi anunciada a Copa do Mundo no Brasil, juro que fiquei exultante ao pensar que os gramados brasileiros seriam palco para o desfile dos principais craques do futebol mundial. Mas os desmandos, os atos de incompetência e os vacilos são tomanhos que dá para refletir se realmente foi um bom negócio.

Para começar os estádios estão com seu cronograma atrasado, aeroportos sem ampliação e para piorar o quadro algumas cidades não tem leitos suficientes para atender a demanda.

A Fifa considera que a saída é adotar um paliativo e pedir para que as pessoas retornem assim que as partidas sejam realizadas. Assim como se fez na África do Sul.

A comédia pastelão é completada com a troca de farpas entre os dirigentes da Fifa e as autoridades brasileiras, tal qual como crianças mimadas que não aceitam receber medidas de enquadramento.

Bem, em qualquer outro cenário, a decisão mais lógica seria ou diminuir o número de sedes ou até mudar o local da Copa do Mundo, que não estaria fora de propósito. E porque nada disso acontece? Simples: só no ano passado, o lucro da Fifa com a competição foi de R$ 910 milhões. É, nossos ouvidos terão que aturar bobagens por muito tempo.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 31 de março de 2012 em Uncategorized

 

Os bastidores do futebol fervem…

Uma noticia publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo deveria chamar atenção de quem defende o planejamento e o profissionalismo no futebol. O novo presidente da CBF, José Maria Marin, coloca-se contra a formação da Liga de Clubes, mas quer colaborar para a reconstrução do Conselho Técnico, que abrigava todos os clubes e foi desmanchado por Ricardo Teixeira após a avalanche de denuncias em 2001.

Por outro lado, Teixeira aproveitou a ocasião para instituir um dos únicos pontos positivos de sua gestão: a fórmula de disputa pelos pontos corridos.

Agora, seja qual for a nova conjuntura do futebol brasileiro, não há cenário claro sobre o modelo de futebol que desejam os clubes. Afinal, sabemos que alguns clubes médios e pequenos reclamam da disparidade criada a partir dos pontos corridos. É verdade. Mas temo que, ao invés de discutir a forma de divisão das cotas de televisão, queiram discutir a formula de disputa, o alicerce que trouxe um pouco de transparência ao futebol brasileiro. O temor é justificado, especialmente porque coerência não é forte no futebol brasileiro.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 30 de março de 2012 em Uncategorized

 

Deixaram Lula falar. Que bom!

Todo mundo sabe como pego no pé da imprensa. Não me conformo com matérias distorcidas e assuntos sendo abordados de maneira viciada. Mas é preciso enaltecer quando uma reportagem é bem conduzida. É o caso da entrevista feita pelas jornalistas Monica Bergamo e Claudio Collucci na edição de hoje do Jornal Folha de São Paulo.

Depois de quase cinco meses em tratamento médico e com opiniões terceirizadas – ou seja, só sabíamos das declarações do ex-presidente- após o encontro com políticos ou pessoas do seu circulo intimo- Lula descreveu o tratamento, os medos, angustias, temores e pavores gerados pelo câncer na laringe.

Quem estava ali, diante das duas repórteres, não era o Lula político, orador espetacular ou autor de grandes sacadas eleitorais. Estava diante de todos, antes de qualquer coisa, o ser humano, uma pessoa com falhas e virtudes e que estava disposto a abrir o coração.

Registre-se que as repórteres conduziram a entrevista de modo sóbrio, cuidadoso, sem qualquer tentativa de fazer sensacionalismo com algo que já é drama por si só.

Lula falhou em não repudiar o cigarro? Claro que sim! Mas ele terá outras oportunidades para se redimir. O que importa é possuirmos a certeza de que entre 2003 e 2010, mesmo com as criticas que seus opositores podem (e devem) fazer, a Presidência da República foi ocupada por um humanista de marca maior. Não é pouco

 
Deixe um comentário

Publicado por em 30 de março de 2012 em Uncategorized

 

Sem Chico e Millôr, o humor brasileiro fica bem pior

Millor Fernandes foi embora assim como o humorista Chico Anysio. São pessoas que representam uma época do Brasil que lutava por democracia, de seus políticos sem rosto e de uma população que queria formar cidadania. Um Brasil que tinha nessas pessoas a referência e a bussola para construção de uma identidade nacional.

Eles foram embora e o que fica? No caso das artes e do humor, penso que a tendência é piorar ainda mais. É só pensar: os clássicos programas de humor como Zorra Total e “A Praça é Nossa” são marcados por personagens até interessantes, mas um texto, com muita boa vontade, mediano. Quem tiver Tv por assinatura assista a reprise da “Escolinha do Professor Raimundo” e comprovará minha tese. Alguns personagens existem até hoje, mas o texto, as ideias, as piadas de antigamente tinham uma consistência inexistente nos dias de hoje.

O que sobra? CQC, Pânico e outros do gênero. Programas que bebem do chamado “humor do insulto” e que prima atacar as pessoas sem dó nem piedade. Os seus defensores dizem que esses humoristas bebem da fonte do Stand up. Será mesmo? Jay Leno, David Letterman e Jerry Seinfeld, cada um em sua área, fazem um humor ácido, porém refinado e dentro dos limites do respeito e da educação. Antes de estilo, eles possuem conteúdo.

Resumo da ópera: Chico e Millôr já fariam falta em qualquer conjuntura. Diante do quadro calamitoso reinante, a saudade fica ainda mais dilacerante.

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28 de março de 2012 em Uncategorized

 

Alberto Dines, Claudio Abramo e Millôr Fernandes: a trinca de ouro do jornalismo brasileiro

Não há como fugir da constatação de que a imprensa brasileira vive uma crise de valores. Até fatura de maneira satisfatória, mas a concorrência com a internet fez com que os veículos impressos entrassem em uma concorrência desleal, que é a de buscar a noticia mais quente, o furo, algo que a internet pode fazer em minutos.

Pior: temos que conviver com perdas de pessoas que mostravam um caminho para sair dessa cilada. Millôr Fernandes, morto nesta terça, sempre foi conhecido por ser um humorista que sabia utilizar muito bem as palavras e os veículos disponíveis. Fez um site pessoal com alto índice de acessos e que trabalhava bem a comunicação com a revista, o jornal e até a televisão.

Suas frases ficarão cravadas para sempre no imaginário popular. Ao lado de Cláudio Abramo e Alberto Dine forma a trinca de ouro do jornalismo brasileiro.

Eu admito minha mediocridade, quero melhorar e prestar um serviço. Mas sem uma referência brilhante como Millor a missão ficará bem mais difícil.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28 de março de 2012 em Uncategorized

 

Lula volta ao palco. Tomara que os outros também se mexam…

Exames realizados nesta quarta-feira mostram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem qualquer vestígio de tumor na Laringe. Ou seja, as sessões de fonoaudiologia podem continuar pois futuramente o líder mais popular da história politica recente do Brasil vai retornar ao tablado.

Dirigentes do PT comemoram como se fosse um começo para vitórias avassaladouras no começo.

Pois bem, eu se fosse dirigente do Partido dos Trabalhadores eu teria todos os motivos do mundo para me lamentar. Sim, este blogueiro já cansou de falar das qualidades e virtudes do governo Lula, especialmente o segundo mandato, fundamental para a eleição de Dilma Roussef e a continuidade de um programa progressista no Palácio do Planalto. Só que também é verdade que essa dependência em relação á Lula escancara que o PT infelizmente perdeu boa parte de sua identidade coletiva. Ou seja, a de um partido que convencia e ganhava votos graças ao seu programa de governo, as suas ideias…

Por favor, não venham dizer que o problema são as denúncias de corrupção. Nada disso. A verdade é que os dirigentes e até militantes ficaram acomodados ao ver que bastava existir um palanque e um microfone para Lula resolver qualquer impasse político em um toque de mágica. Discussão? Debate? Militância? Deixa que o “barba” resolve tudo.

Passou da hora da preguiça ser deixada de lado e usar Lula como ele realmente merece: um líder político que comanda um grupo que tem ideologia e sabe exatamente o que quer. Isso seria bom muito bom para o país.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 28 de março de 2012 em Uncategorized